A poupança é sempre resultado de escolhas individuais

Por:Instituto Liberal de Minas Gerais
Colunas | Economia

29

Mar 2018

O professor José Oreiro publicou no Diário do Comércio, bem como no seu blog  no dia 28 de março de 2018, um artigo no qual ele questiona a origem microeconômica da poupança. De acordo com ele, a observação através da análise empírica dos dados não demonstra que a poupança tem sua fundamentação na preferência temporal dos indivíduos, isso porque a poupança nacional tanto do Brasil, quanto dos demais países do mundo são formadas em maior parte pelas poupanças das empresas privadas e não pelas poupanças das famílias.

Precisamos inicialmente ressaltar que a preferência temporal é um axioma respaldado na lógica-dedutiva (assim como a lei da oferta e demanda) e, por isso, não carece de comprovações empíricas. O axioma da preferência temporal nos diz que os agentes econômicos valoram mais o consumo presente ao consumo futuro, dessa forma para que os agentes abram mão desse consumo presente eles devem ter uma perspectiva de um maior consumo futuro, em geral, o que possibilita o aumento do consumo no futuro para os agentes poupadores são as taxas de juros e a taxa de lucro.

Entretanto, apesar de não carecer de comprovação empírica, a própria análise dos dados destacados pelo professor Oreiro comprovam empiricamente a origem microeconômica da formação da poupança numa economia. Como ele destaca, a poupança privada é formada tanto pelas empresas quanto pelas famílias, mas como sabemos, instituições não poupam nem despolpam, instituições não agem e nem tomam decisões, instituições são apenas um conjunto de normas e regras que buscam satisfazer um interesse comum, nas instituições quem tomam as decisões são os indivíduos, são as pessoas que as compõe!

É por isso, que os donos e/ou administradores de uma empresa ao decidirem não consumir os lucros auferidos em seus negócios (seja esse consumo realizado através do CNPJ ou através do CPF), eles os fazem com a perspectiva de que essa poupança a ser transformada em investimentos lhes garantirá no futuro uma maior capacidade de consumo e/ou de realização de novos investimentos através de novos lucros.

Redistribuir renda de famílias para empresas e incentivar a retenção de lucros não alterarão a preferência temporal dos agentes da economia, a fim de garantir assim uma maior poupança, um maior nível de investimento e, portanto, um maior desenvolvimento para o país. O que garantirá isso é a responsabilidade fiscal do governo impedindo aumento de impostos futuros e maiores gastos com juros, uma moeda relativamente estável evitando com que o poder de compra seja corroído pela inflação de preços, segurança jurídica e institucional e etc.

Microeconomia e macroeconomia, assim como o curto e o longo prazo, estão intrinsecamente interligadas, por que ainda discute-se isso?

 

Sobre o autor:

Matheus Ben Hur é bacharel em economia pela Universidade Estadual de Montes Claros e mestrando em economia pela Universidade Estadual Paulista. É adepto da Escola Austríaca de Economia.

 


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