O que precisamos para educar o Brasil?

Por:Instituto Liberal de Minas Gerais
Colunas

23

Apr 2018

Se formos analisar a situação da educação no Brasil é preciso lembrar que só em meados do século XX é que houve um processo de expansão da escolarização básica no país. E que o crescimento da rede pública de ensino aconteceu apenas no final dos anos 1970.

O Brasil está em 53º lugar no ranking da educação mundial num total de 65 países avaliados. Mesmo com todos os programas sociais implementados pelo governo visando o incentivo e manutenção das crianças na escola, os números não são bons.

O analfabetismo funcional no Brasil, entre pessoas de 15 a 64 anos chega a 28%, conforme pesquisa do IBOPE; e 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização não conseguem ler; 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam a leitura e a escrita.

Isso se junta ao fato dos professores que recebem salário menor do que o piso salarial e as péssimas condições físicas da grande maioria das escolas públicas do país. Os dados são bem ruins e o reflexo é a baixa qualidade do ensino no país.

Quais as alternativas para solucionar o problema da educação básica?

Dentro desse cenário ruim, quais seriam as alternativas para solucionar os problemas? Antes disso é preciso entender quais as causas desse problema e como funciona realmente o sistema de educação no país. Quando pagamos nossos impostos, o dinheiro pode ir para a União, para o Estado ou para o Município. Cada uma dessas instituições tem a obrigação de alocar parte dessa verba arrecadada de impostos para a educação. No caso do município, pelo menos 25% da receita mais as transferências (recursos que vieram da União e do estado) devem ser investidas em educação infantil e fundamental.

Mas mesmo com isso, as escolas públicas ainda mantêm um nível abaixo do desejado e existe uma diferença enorme se comparada ao ensino oferecido pelas escolas particulares. O desempenho das escolas particulares é consistentemente superior ao das escolas públicas e o desempenho dos alunos das escolas particulares é, em média, 18% superior ao dos alunos das escolas públicas.

Enquanto as escolas municipais têm um desempenho comparável ao da Argélia, nossas escolas particulares se comparam às da Dinamarca.

Se os estudantes mais pobres tivessem a oportunidade de frenquentar escolas particulares, seus salários seriam, provavelmente, 9% mais altos em cinco anos depois de formados.

Mas porque existe tanta diferença entre o ensino da rede pública e da particular? Os principais fatores que influenciam no desempenho escolar são as características do aluno e sua família, além da quantidade de horas-aula e a pré-escola. Indicadores que, geralmente, são associados pela maioria das pessoas à qualidade do ensino, mas que na realidade produzem pouco efeito sobre o desempenho escolar dos alunos são: número de computadores na escola, processo de seleção, grau de escolaridade, faixa etária e salário dos professores. É importante ressaltar que mesmo não tendo um impacto tão grande na qualidade de ensino, o salário dos professores não pode ser deixado de lado e desconsiderado.

O problema é que não é um sistema de livre concorrência, faltam às escolas os incentivos e o feedback presentes da gestão das escolas privadas. Uma solução possível para melhorar a educação seria oferecendo oportunidade aos alunos carentes de estudarem em escolas particulares, através de bolsas de estudos.

O ganhador do prêmio Nobel em economia, Milton Friedman, defende que o governo convertesse os gastos com educação pública em vales, para que os pais pudessem escolher em que escola colocar seus filhos. Dessa forma, o governo repassaria a verba para as escolas, conforme a escolha dos pais de cada aluno. Uma espécie de sistema baseado em vouchers. Dessa forma as escolas públicas passariam a competir também com as escolas privadas.

Essa competição faria com que as escolas fossem obrigadas a aumentar e manter o nível e a qualidade do ensino. Em suma, ao invés de financiar escolas públicas, o financiamento seria diretamente para o aluno.

 

 


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