Capitalismo melhora a vida das pessoas?

Por:Instituto Liberal de Minas Gerais
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09

May 2018

A tendência da humanidade é, axiologicamente, atingir cada vez melhores condições de vida no planeta.

Pode ser considerado mesmo um clichê o fato de que qualquer ser humano que consiga gerar uma renda que o encaixe mesmo na parte mais pobre da população, tenha hoje qualidade de vida incomparavelmente superior a de qualquer rei do século XIX.

A ideia que permeia o epicentro dessa tendência pode ser vista de vários ângulos, mas só tem um nome: Descentralização.

A idade moderna, período com início tradicionalmente aceito em 29 de maio de 1453 -quando ocorreu a tomada de Constantinopla pelos Turco Otomanos-, pode ser vista como um momento de revolução social cuja base consiste na transição do feudalismo para o capitalismo.

Até mesmo na linha de pensamento marxista, mesmo diferindo entre os períodos, é aceito o fim da Idade Média como sendo culminado pelas Revoluções Liberais.

O feudalismo foi utilizado pelo Estado durante toda a Idade Média, mas perto do que hoje conhecemos como o fim da mesma, o uso da terra –naturalmente-, foi perdendo a força.

Os campos, meios de produção grandes, centralizados e pesados financeiramente (por isso pertencentes apenas à nobreza) foram sendo abandonados. Após anos de desordem, o comércio cada vez mais descentralizado serviu de base para a estabilização da economia.

O castelo, antes centro das atividades econômicas, ia perdendo sua relevância. O progresso do comércio artesanal, as feiras medievais, a cidade burguesa incompatível com o feudo ofereciam melhores condições de vida, trabalho, chances de lucro e atrativos do comércio.

No início da Idade Moderna, as cidades se expandiam, iam de forma gradual deixando para trás a experiência do feudo. Claro que elas tiveram que lutar para sobreviver, tanto na parte econômica como na social e política.

As comunicações ficaram mais fáceis, estradas mudavam cada vez mais o aspecto das paisagens. Uma  nova classe social surgia com o nome de burguesia e reunia camponeses, artesãos, mercadores, comerciantes e banqueiros. As moedas adquiriram estabilidade e liquidez suficiente e o comércio superou a terra.

Conhecemos o fim da Idade Moderna pela culminação da Revolução Francesa, em 1789-99, mas como se desenvolveu a contemporaneidade?

A revolta do povo francês com o absolutismo (sinônimo de centralização) do Rei Luis XVI, inspirados nos ideais iluministas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, desenvolveu o processo revolucionário.

A propósito, para continuarmos, é necessário falar sobre estes 3 conceitos: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A França estava dividida entre 3% da população concentrada no Clero e na Nobreza e cerca de 97% constituídos por todo o resto da população, cortesãos, burgueses e camponeses, pagadores de impostos (que era entregue ao clero e à nobreza). Estes formavam o chamado Terceiro Estado, que -organizadamente-, foi o grande protagonista na revolução.

O grupo se dividia principalmente entre Girondinos e Jacobinos. Os ideais e lutas que hoje mostram a obviedade da legitimidade dos direitos naturais do homem, também tiveram em contraponto milhares de mortes em nome de um preceito fatalmente errôneo que consiste em trocar a ordem de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” para “Igualdade, Fraternidade e Liberdade”.

A igualdade perante as leis já era um princípio liberal defendido por filósofos e economistas liberais entre os quais os que nasceram e se ergueram justamente na revolução, como Bastiat.

A igualdade de bens materiais e de poder de consumo só existiu até os feudos, onde todos eram miseráveis, exceto pelos membros do Estado.

Só a liberdade é a porta e o caminho para os outros ideais. Como previsto por Burke, a revolução culminou em terror, morte e ditadura. Os Jacobinos, liderados então por Robespierre, radicais e não simpáticos à idéia de propriedade privada, instituíram um governo totalitário e sangrento, em busca de garantir igualdade e ironicamente denominado “Comitê de Salvação Pública”.

O chamado “Período de Terror” durou aproximadamente 1 ano e matou oficialmente 16.594 pessoas, sendo esses números popularmente considerados apenas uma pequena fração do real nível de destruição.

As medidas extremamente intervencionistas, logo totalitárias, do CSP, como o congelamento de preços, levaram à fome e a morte de parte da população, trazendo força aos movimentos anti-revolucionários que tiveram sucesso em derrubar o governo Jacobino através de uma convenção organizada às pressas no dia 29 de julho de 1794, a chamada 9 Termidor.

Robespierre tentou mobilizar as massas em sua defesa, mas os que não estavam mortos já não acreditavam nos ideais Jacobinos o suficiente. Robespierre foi guilhotinado e a Comuna de Paris e o Partido Jacobino deixaram de existir.

É fundamental observar a ordem de fatores que levaram uma revolta contra o absolutismo a se tornar em outro sistema absolutista. A luta por descentralização foi corrompida por centralizadores, coletivistas.

Na Inglaterra, um país unificado com uma situação política relativamente estável, livre de taxas de importação e exportação e com sistema de seguro e infra-estrutura bancáriabem estabelecidos, foi o ambiente perfeito para o estabelecimento da chamada Revolução Industrial, fenômeno que foi responsável por mostrar ao mundo como mesmo um cenário de centralização industrial num ambiente de livre mercado pode ainda melhorar e muito, no médio prazo, a vida das pessoas. De 1780 a 1880 apenas Londres foi de 8.6MI de habitantes para incríveis 36MI. Decorrência direta da maior (mesmo que ainda precária) qualidade de vida proporcionada pela geração de riqueza criada nas fábricas e em seus setores de investimento.

Hoje, com a globalização, uma economia aberta só atrai cada vez mais concorrência e descentralização, como o exemplo dos EUA.

Falando do século XXI é cada vez mais difícil encontrar relações de trabalho parecidas com o que já foram. Cada vez mais rápido as mudanças acontecem de forma espontânea e de acordo com a necessidade do mercado. Cada vez mais a geração de riqueza pede liberdade para atingir sua necessária descentralização. A natureza capitalista é a mudança de Status Quo, que é precedida sempre em ultima instância pela necessidade humana.

Cada vez mais indivíduos só precisam de si próprios e da cooperação de outros indivíduos para gerar riqueza e qualidade de vida para si e (tão somente porque) primariamente para outros indivíduos.

Aplicativos em livre concorrência centralizam corridas descentralizadas e fazem de qualquer indivíduo o regulador do próprio trabalho. Cada vez mais a possibilidade de escala de cada indivíduo é potencializada. Cada vez mais produtos, costumes e conhecimentos são apresentados aos indivíduos, gerando cada vez mais a possibilidade do surgimento de outras demandas, como postula a Lei de Mercados de Say.

O Brasil tem uma legislação trabalhista com mais de 70 anos de idade que foi baseada nos ideais fascistas de Mussolini em sua “Carta Del Lavoro”. É preocupante parecer mais com a Itália fascista que com a Inglaterra pioneira.

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Sobre o Autor:

Alexandre Torres é empresário, coordenador local do SFL e escreve para a Revista Opinião periodicamente.


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