O jogo eleitoral brasileiro – Votar e legitimar ou anular e fugir?

o jogo eleitoral brasileiro

Por:Lucas Pagani
Colunas

19

May 2017

O jogo eleitoral brasileiro – Votar e legitimar ou anular e fugir?

A moda entre os meios liberais é de não votar ou anular (com votos brancos ou nulos) as escolhas de candidatos nas eleições para cargos executivos e legislativos no Brasil. Um voto realmente não muda nada. O problema é quando essa ideia se espalha e atinge um número alto de adeptos. No processo eleitoral recente, vemos que abstenções, votos brancos e nulos estão crescendo a cada eleição.

Isso deveria ser uma boa notícia, mas não é. Quando separamos o dever do voto, não levamos em conta o custo que isso pode trazer para o sistema político. Especialmente quando esse público poderia ser decisivo para uma mudança do establishment político, que é guinado para a extrema-esquerda.

Nas Eleições Presidenciais de 2014, votos brancos, nulos e abstenções somaram mais de 27 milhões de pessoas em um público de 142 milhões de eleitores. Isso significa que quase 20% do público eleitoral se absteve do voto, seja não comparecendo às zonas eleitorais ou não escolhendo um candidato. O resultado disso? O candidato da extrema-esquerda se elegeu com a MINORIA absoluta dos votos.

Imagine o cenário político se as abstenções fossem cortadas pela metade. Imagine que, agora, o candidato de centro-esquerda, Aécio Neves, tivesse mais 10 milhões de votos. A extrema-esquerda não teria ganhado.

Nas Eleições Municipais de 2016 do Rio de Janeiro, por exemplo, o número de abstenções combinadas com os votos brancos e nulos SUPEROU a votação do candidato Marcelo Freixo. Uma soma de mais de 41% do público eleitoral GERAL e suficiente para eleger OUTRO candidato, que não o então vencedor Marcelo Crivella. E o exemplo do Rio não foi algo isolado, esse alto número de abstenções se estendeu em todo o país.

O Prêmio Nobel de Economia, Douglas North, disserta que as instituições de uma determinada sociedade (ou as regras do jogo), são condicionadoras, construídas pela interação humana e para a própria interação humana. Ou seja, as instituições guiam e condicionam um determinado comportamento dentro de uma determinada sociedade.

Quanto ao ramo político, devemos entender que o voto é um dever perante as instituições políticas da sociedade brasileira – e os liberais sabem muito bem disso. As eleições de 2018 estão com perspectivas de mudanças e novos ares. Não podemos manter a posição do “não voto” como protesto, porque isso apenas beneficia a extrema-esquerda. Essa posição beneficia quem compra votos ou quem se sustenta através de um populismo “mequetrefe”.

Se essa estratégia de descaso com o dever cívico for mantida, podemos ver um cenário em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte a ocupar o cargo de mais alto escalão do poder executivo do Brasil. Se mantivermos essa postura e esse alto número de abstenções continuar, seremos DIRETAMENTE culpados pela volta dos corruptos ao poder.

Estamos em um período onde podemos mudar o establishment político brasileiro, dando novos ares de uma política mais liberal. E isso depende da nossa força como polo eleitoral. Não podemos nos esquivar de um momento crucial para o desenvolvimento pleno de nossas ideias. Não salvaremos o mundo, mas não seremos culpados pela leniência diante de nossos adversários.

Devemos, acima de tudo, ter a consciência de não reeleger aqueles que já estão no poder. Precisamos dar novos ares – sobretudo mais jovem – para o cenário político brasileiro. Precisamos de candidatos a deputado federal e estadual, governador, senador e presidente com ideias liberais e devemos dar apoio a todos eles. Sim, precisamos de vozes dentro do governo.

Não convencidos? Apenas a voz do suplente a Deputado Federal, Paulo Eduardo Martins, foi suficiente para desmantelar o movimento sindical alterando a obrigatoriedade do imposto sindical e transformando-a em uma contribuição voluntária.

Devemos incentivar e procurar candidatos liberais para uma representação política – e rápido. Podemos fazer mudanças significativas para um futuro mais prospero e livre das “melancias” – verdes por fora e vermelhas por dentro – que estão surgindo. Se continuarmos com essa postura, a esquerda seguirá no poder e continuará ditando a sua vida.

Estamos num momento de reestruturação política. Não podemos abrir mão da nossa força expressiva eleitoral para conseguirmos mudar os ares políticos. Não confiar em políticos praticamente se tornou uma regra no Brasil e não podemos pensar dessa forma. Devemos lembrar que os políticos são NOSSOS funcionários e servem ao Povo. Dessa forma, devemos apoiar aqueles que pensam e agem com essa consciência.

Para que o mal triunfe, basta que o bem se cale, como bem profetizara Edmund Burke, político britânico do século XVIII. Vocês querem alguma mudança, mesmo que pequena, nas eleições de 2018? Então votem, façam campanha e mudem a postura do “não voto” para o ” voto no candidato X, que é liberal”. Não tem candidato Liberal? Procure alguma liderança política local e faça-a tornar-se liberal. As ideias tem uma força que não pode ser subestimada.

Mude. Vote. Seja uma liderança local. Ou toque sua vida com a mesma postura e aceite o preço de ter a mesma política “mequetrefe”, de meia qualidade, ditando sua vida e a vida dos demais.

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Lucas Pagani

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