Tudo o que você precisa saber de economia em quatro lições

Por:Yuri Dornelas
Colunas

11

Mar 2017

Tudo o que você precisa saber de economia em quatro lições

Em economia, nada é tão simples ou de consequências óbvias e facilmente perceptíveis. Muitas vezes, os efeitos pretendidos e não pretendidos de políticas econômicas só irão aparecer anos depois de sua implantação. E este artigo trata exatamente sobre isso.

A lição

Frederic Bastiat

No século XIX, o francês Frédéric Bastiat ensinou uma poderosa lição de economia. Para avaliarmos os efeitos de uma política pública devemos considerar “o que se vê e o que não se vê”. Isso significa que devemos olhar além dos efeitos imediatos e de grupos diretamente atingidos. Devemos olhar os efeitos futuros e como a sociedade será atingida como um todo por tal política.

Henry Hazlitt, economista americano, desenvolveu essa mesma lição mais de 100 anos depois em seu livro “Economia numa única lição”. Nas próprias palavras do autor: “O mau economista vê somente o que está somente diante de seus olhos; o bom economista olha também ao seu redor. O mau percebe somente as consequências diretas do programa proposto; o bom olha, também, as consequências indiretas e mais distantes. O mau economista vê somente quais foram ou quais serão os efeitos de determinada política sobre determinado grupo; o bom investiga, além disso, quais os efeitos dessa política sobre todos os grupos”.

A lição aplicada

1) A vidraça quebrada

Economia e a teoria da janela quebrada

Esse é o exemplo mais famoso de Bastiat: o filho quebra a vidraça do pai e o conserto custará seis francos. As pessoas que assistiram a cena tentam acalmar o pai dizendo que ele estará ajudando a sociedade, movimentando a indústria de vidros e proporcionando seu desenvolvimento na proporção de seis francos. É o que se vê. Mas se a vidraça não tivesse sido quebrada, desses seis francos uma parte poderia ser usada para comprar pão, portanto iria para o padeiro, e outra poderia ser usada para comprar um novo tênis, portanto iria para o sapateiro. Não se vê que se a vidraça não tivesse sido quebrada, os seis francos seriam gastos em outra coisa, e, portanto, outra atividade econômica teria sido estimulada nessa proporção. Destruição não gera riqueza. Parece extremamente óbvio, mas uma série de economistas defendeu e ainda defende isso.

2) Obras públicas significam impostos

Governo incapaz

“Não existe crença mais persistente e mais influente, hoje em dia, que a crença nos gastos governamentais. Em toda parte são eles apresentados como panaceia para todos os nossos males econômicos. Está a indústria privada parcialmente estagnada? Podemos regularizá-la por meio de gastos governamentais. Há desemprego? Isso, obviamente, é causado pelo insuficiente poder aquisitivo particular. O remédio é, também, óbvio. Tudo o que é necessário é o governo despender o suficiente para compensar a deficiência.” (Henry Hazlitt, 1986, p.10).

Quando um governo lança um novo projeto de construção pública, por exemplo, diz-se que isso movimentará milhões de reais, que serão gerados milhares de empregos, que a região do projeto irá se desenvolver. Isso é o que se vê. Mas esquece-se que para tal construção ser viável, todos os pagadores de impostos deixaram de consumir algo de seus desejos, que os outros setores deixaram de ser estimulados, que outros empregos que seriam criados deixaram de ser criados, que outras regiões que iriam se desenvolver deixaram de serem desenvolvidas. É o que não se vê. Se o governo gasta 100 reais, isso significa que os contribuintes têm menos 100 reais para gastar.

3) Tarifas de importação

Protecionistas, estatistas e esquerdistas argumentam que tarifas sobre produtos importados são necessárias para ajudar a indústria nacional e salvar os empregos que ela gera. Dessa forma, a indústria nacional continua aberta e os empregos são mantidos. É o que se vê. Mas esquece-se que os consumidores nacionais estariam pagando menos por um produto de qualidade melhor e também que empregos em outros setores seriam gerados. É o que não se vê. Não se vê que “proteger” as indústrias nacionais é impor um custo a todos os consumidores e desperdiçar recursos que seriam empregados de maneira mais eficiente em outras áreas.

4)  Controle de preços

Às vezes, pessoas consideram que alguns preços de produtos “essenciais” estão muito altos e são injustos. Devido a isso, argumentam que o governo deveria controlar o preço desses produtos. Ao ser estabelecido um controle de preço abaixo do nível de mercado, a demanda aumenta e mais pessoas conseguem consumir o produto. É o que se vê. Mas não se vê que o controle de preços em longo prazo gera uma diminuição da oferta e, consequentemente, escassez. Os países que experimentaram a utopia socialista aprenderam isso da pior forma possível.

Conclusão

Frase Frederic Bastiat

Foram apresentados, de forma reduzida, quatro exemplos da “lição aplicada”. O livro “Economia numa única lição” apresenta um total de 23 “lições”. Sempre que ouvir políticos falando sobre as maravilhas de uma política pública, de um programa social ou de um programa de desenvolvimento, lembre-se daquilo que não se vê. Lembre-se que para cada centavo que o governo despende, os cidadãos têm um centavo a menos para gastar. Lembre-se dessa simples lição de um francês que viveu há dois séculos. Não se deixe enganar pelas falácias esquerdistas, nacionalistas e estatistas.

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Colunista do Instituto Liberal de Minas Gerais. Graduando em Economia pela Universidade Federal de Juiz de Fora e coordenador local do Students For Liberty Brasil. Libertário entusiasta da Escola Austríaca de Economia e do Objetivismo de Ayn Rand.

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