TODO MUNDO É LIBERAL, SÓ NÃO SABE AINDA

Por:Instituto Liberal de Minas Gerais
Colunas

07

Sep 2016

TODO MUNDO É LIBERAL, SÓ NÃO SABE AINDA

Navegando pelas redes sociais, me deparei com um post com o seguinte conteúdo: “A única forma de combater o liberalismo e a exploração do trabalhador é com sua própria máxima, livre mercado. Consumidor precisa se informar sobre as práticas desses empresários e assim escolher comprar de quem pratica o justo. Boicote a quem paga mal funcionário, bora (sic) comprar de quem produz, de quem é justo com o colaborador. Bora (sic) fortalecer a produção independente”.

Ao que parece, se trata de uma pessoa que se define como esquerdista, na medida em que trata o liberalismo como algo que deve ser combatido. Fora o evidente equívoco em considerar o liberalismo como nocivo ao trabalhador, a ideia de quem postou é completamente contraditória e, em momento algum, ela percebe que, no final das contas, ela defendeu uma posição nitidamente liberal: a de que o consumidor é quem deve comandar o mercado, ditando indiretamente quais condutas devem ser adotadas pelos comerciantes.

A doutrina liberal, no decorrer do século XX, sofreu uma constante e pesada campanha de difamação. No Brasil, especialmente após a chegada do ex-presidente Lula ao poder, liberalismo ou “neoliberalismo” (o que quer que isso venha a ser) passaram a ser sinônimos de “reacionarismo” e “elitismo”. Estes conceitos ficaram tão impregnados no inconsciente social geral e no consciente coletivo esquerdista, que o verdadeiro significado de liberdade e liberalismo acabou se perdendo para os brasileiros como um todo: uma força construtiva e positiva que confere aos indivíduos a capacidade de assumir o controle da própria vida, de adquirir autonomia ou alcançar a realização pessoal, com ênfase na individualidade. A liberdade é valiosa, pois permite aos indivíduos desenvolver e adquirir talentos, habilidades e conhecimento.

Por esse conceito, a maioria das pessoas concordará com o que será dito, mas poucas delas se identificariam, quando questionadas, a priori, como indivíduos liberais. Isso não significa que não o sejam, apenas que desconhecem o que significa sê-lo.

Mas e os grandes empresários e a elite financeira? O liberalismo serve a eles!

Essa ideia, tão enraizada no senso comum, não poderia ser mais falsa.

Imagine uma sociedade com livre concorrência de mercado. Isso beneficia os monopolistas ou os oligopolistas?
Não.  Na prática, para sobreviver à concorrência aberta a novos competidores os grandes agentes deverão sempre aumentar seus investimentos em inovação e, consequentemente, sua produtividade. Dessa forma reduziriam suas margens de lucro (sim, o mesmo lucro tão demonizado pelos socialistas é uma ferramenta de ajuste de mercado da economia, e por isso mesmo, não é de forma alguma considerado incorreto), até que o preço do produto ofertado seja o preço de equilíbrio daquela indústria. Isso faria com que o próprio mercado eliminasse monopólios e oligopólios (desde que estas grandes corporações não se beneficiem de nenhum subsídio ou preferência estatal, ou seja, o Estado não interfira nas relações econômicas).

Portanto, o liberalismo é contrário aos monopólios e desequilíbrios de mercado por definição. A “elite” financeira raramente defende sinceramente os valores liberais, pois a implantação do liberalismo na verdade significaria a perda de muitos privilégios que ela detém no sistema capitalista que hoje vigora no Brasil, o chamado “capitalismo de compadrio” ou crony capitalism, que seja, um capitalismo que não preza pelo livre mercado, e onde o Estado privilegia várias corporações.

Ah, mas ninguém é livre de verdade!

As justificativas para essa afirmação são variadas (desde as estruturais até as conspiratórias), mas, de modo geral, muitos defendem essa máxima para dizerem não acreditar no liberalismo. Contudo, curiosamente, essas mesmas pessoas, muito possivelmente, irão querer o máximo de liberdade para suas vidas, seja nas suas decisões particulares, seja nas suas atividades profissionais.

Quem não gostaria de ter liberdade de escolha quanto à escola dos filhos, sem precisar matriculá-los obrigatoriamente na escola municipal do bairro? Quem não gostaria de poder escolher o centro de saúde público onde será atendido, sem ter que optar pelo mais próximo de casa, que pode não ser de boa qualidade, estar cheio, ou sem medicamentos ou vacinas? Quem não gostaria de poder abrir sua empresa, legalmente, sem um processo tão moroso e dificultoso quanto o existente no nosso país?

Muitas vezes vigora a máxima do “todo mundo é liberal com sua própria vida e estatista com a vida alheia”. Mas isso, obviamente, não pode ser verdade.

Como defensor do racionalismo, recuso-me a acreditar em uma hipocrisia voluntária. A meu ver, isso significa apenas falta de uma análise mais aprofundada de certas questões da vida, complexas estas que são. Caso fosse feita essa análise, creio que seria aplicada a velha máxima kantiana, que diz: “você deve agir sempre baseado naqueles princípios que desejaria ver aplicados universalmente”.

Claro que o título deste texto, em certa medida, exagera ao afirmar que todos são liberais. Existem aqueles que preferem outras doutrinas (como os monopolistas de mercado, por exemplo, conforme já abordado), mas, para 90 por cento dos cidadãos, a liberdade é o que de mais revolucionário a vida pode oferecer. Resta a eles apenas tomar conhecimento disto.

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