Terroristas sem nome, criminosos sem rosto

Por:Pedro Henrique
Colunas

28

Dec 2016

Terroristas sem nome, criminosos sem rosto

Um dos fenômenos recentemente vistos nos analistas políticos e na mídia brasileira é aquilo que eu denomino como “cegueira consentida”, ou como disse em uma palestra em São Paulo: “bandidos sem nomes, criminosos sem rosto”. A sociedade e seus representantes no Congresso, sob influência do marxismo, agora em moda, começou a ver as situações e meandros sociais como um fenômeno exclusivamente de massa; ou seja, tudo que acontece no âmbito comunitário, foi antes premeditado por algum fator que lhe impele de forma opressora. Por exemplo, a existência de criminosos se dá pelo fato de o capital despertar nos criminosos anseios impossíveis de serem alcançados, fazendo com que o roubo, por exemplo, torne-se um efeito secundário da desigualdade social. Quem rouba, na realidade, é vítima da sociedade, e não um criminoso.

Esta teoria aflorada na sociedade causa três movimentos distintos, todavia, interligados e quase confundíveis. Estes movimentos acontecem simultaneamente na sociedade e na compreensão de crime que essa sociedade começa a partilhar e acatar como realidade final.

Vejamos, o primeiro movimento: trata-se do esquecimento do indivíduo. O crime passa a não ser mais um ato de escolha pessoal, ou de transgressão ética e moral, mas sim um coagir social do qual não haveria outra situação possível senão o perpetrado pelo delito. O ser humano passa a ser um fantoche errante nas mãos das ideologias (ideologias, tais como entendidas por Marx) e condições econômicas capitalistas. As pessoas não possuem mais, em si, a coerção moral ou as virtudes pessoais que lhe impedem de agir como criminosos; resta-lhes tão somente o determinismo social, a imposição de um destino vadio criado por um espectro denominado Capital. Tal teoria encontra pé no determinismo materialista perpetrado pela teoria gramsciana. Gramsci foi quem usou tal ideia como um princípio para expansão comunista através da cultura.

Segundo movimento: o crime torna-se justificável.  Uma vez que o crime não tem rosto e nem nome, não há como responsabilizar alguém pelo o delito cometido — o que está diretamente interligado com o primeiro ponto do esquecimento do indivíduo. Essa situação gera um caos jurídico onde o culpado perde o sentido de responsabilidade frente aos seus crimes. Ele pode facilmente usar o discurso progressista e culpar a sociedade por suas fraquezas de caráter, achando, por vezes, respaldo em grandes teorias filosóficas, jurídicas e sociológicas, dando, assim, um endosso rebuscado aos seus atos delinquentes e reafirmando suas ações criminosas como sendo plausíveis de justificativas e até de anistias. Qualquer ato criminoso, nesses moldes acima citados, passa a ser pensado no sentido macro, onde a pessoa é um mero ser conduzido, e não o ser causador.

Terceiro: o crime passa a ser uma realidade abstrata e relativa. Se a causa do crime é a sociedade, não podemos condenar o ato, pois, indiretamente, eu e você também causamos o crime — apesar de nunca termos tomado nenhuma atitude para tal. Os crimes e os criminosos passam a ser relativizados; talvez o assassino seja a vítima e o próprio assassinato não seja de fato um crime. Basta a nós olhar a situação sob a ótica da causa social e não dos impulsos e escolhas da persona, como outrora era feito.

Um caso aterrorizante e ilustrativo do enraizamento deste pensamento aconteceu com a feminista Amanda Kijera. Em entrevista ao The US Patriot[1], ela comenta o estupro que sofreu no Haiti, aludindo que o ato aconteceu pela dependência e opressão branca feita aos negros daquele país em outras épocas, dando-nos a entender que, no fim, os estupradores que a violentaram não tiveram culpa por seus atos, mas sim a tirania branca frente aos negros do Haiti. Ou seja, no fim, o crime não teve rosto, o crime foi causado pela sociedade branca, e não pelo estuprador em si. Ele foi apenas um objeto da consumação de um crime que não poderia ter sido diferente, era um destino manifesto.

Nos três pontos que expliquei acima, a racionalidade e o poder de escolha das pessoas são cerceadas e tornam-se nulas ou insignificantes. A escolha é mera ilusão, assim como dizia Leibniz.

Esta teoria, propositalmente ou não, adentrou às mentes de nossos intelectuais e jornalistas, e ainda que não digam, e por vezes nem saibam, eles defendem essa ideia infâme de que o crime não tem autor.

Algo semelhante está acontecendo com os ataques terroristas recentes. Há muito tempo eu venho percebendo o movimento crescente nas mídias brasileiras e internacionais  na direção que acima explorei. Por exemplo, nos último ataque terrorista monstruoso do ISIS que, com um caminhão, atropelou e matou 12 pessoas até o momento[2]. A mídia relutou dia e noite em usar o termo “terrorista” para o autor do ataque, e por vezes usava a frase: “caminhão atropela”, claramente para evitar o termo “ataque terrorista”.

Um outro caso foi a morte do embaixador russo, um terrorista matou a tiros o representante russo na Turquia. Todavia, as manchetes davam conta de um “ataque”, e não de um ato terrorista. Parecia que havia um medo em se usar o termo “terrorista”, assim como no caso anterior, ainda que houvessem vídeos, testemunhas e o próprio fato consumado. Quaisquer dúvidas levantadas sobre ser ou não um ato terrorista, tornava-se impossível de ser levada a sério.

O autor dos disparos gritava a todos pulmões: “Alah é grande”, “é por Aleppo”[3], entre outras coisas mais[4]. Não obstante, mãos dos redatores dos principais jornais relutavam em escrever “terrorista”; uma situação quase risível, se não fosse absurda em si. Prudência jornalística, diriam uns; cegueira consentida, interesses políticos e desinformação, diria eu.

Para não conectarem os atentados à religião islâmica, fazem todo o tipo de malabarismo textual. Dizem que são extremistas — como se já não soubéssemos, uma pessoa que atropela propositalmente inocentes com um caminhão poderia ser alguém ponderado? — ou, por vezes, nem isso falam. Tratam os casos como se os atos não tivessem ligações com as crenças dos autores dos crimes, tornam-se abobalhados redatores querendo viver e vender ilusões pacifistas. O terrorismo torna-se um ato sem autor, uma barbárie sem culpado.

Poderão advogar que isto não passa de implicância minha com os títulos das matérias. Bom, para tal argumentação apenas posso pedir para que prestem atenção no tratamento jornalístico a estes fatos. Reparem em como são dadas as reportagens e como são expostos os FATOS. Eu trabalho com a análise política e não tenho dúvidas de que há um movimento em defesa do islã, defesa essa que passa pela tática de guerra de Obama, pelos recentes ataques à Israel feita pela política enfadonha da ONU, na relutância dos EUA em negar fogo aos ISIS, e, principalmente, pela mídia que sempre afirma que caminhões que cometem terrorismos e não terroristas.

Não acredito que haja uma estratégia de dominação mundial pelo Islamismo, (ainda que ela esteja acontecendo por fatores secundários) ou qualquer coisa do tipo. Eu falo de um movimento que, em nome de uma tolerância cega e burra, sublima a realidade, endossa o que se mostra cruel e sangrento. Fazem isso na intenção mesquinha de não gerar revolta. Como se, o ataque gratuito, arbitrário e sem escrúpulos, já não fosse matéria para tal.

A Europa sofre ataques terroristas quase que mensalmente, e quando uma pessoa como eu responsabiliza tais tragédias pelas políticas tolas de acolhimento sem restrições dos imigrantes islâmicos, a mim é dado a chancela de fascista, xenófobo, nazista, e coisas do tipo. Fingindo não terem a proporção exata do que está acontecendo, os políticos do “paz e amor”, aqueles que cantam Imagine em praça pública como sendo um saudoso ato antiterrorismo, esses estão banhando seu próprio povo com seus próprios sangues. Enquanto isso, os ditos extremistas estão rasgando a Europa com suas loucuras religiosas e, neste meio tempo, eu é que sou o fascista, eu é que sou o fanático? Por que? A exposição dos fatos como eles são incomoda tanto?

A população Alemã sofre ataques de muçulmanos em suas próprias ruas[5]. Há vídeos, relatos e vítimas se avolumando com tais ataques. Eu só escuto o silêncio, não há alarde, não há revolta, seja de grupos feministas — sempre prontos a cerrarem seus punhos em atos contra o cristianismo —, nem do jornalismo, sempre atentos a mostrar um deslize das igrejas cristãs. Quantos ataques terroristas, estupros, linchamentos aconteceram através desses imigrantes? Ataques que sublimamos em troca de um respeito necrosado? Pergunte para a mãe que perdeu sua filha de 12 anos em Nice se ela acha que fechar as fronteiras da França é algo tão absurdo assim.

Somos a única geração da história humana que, após receber seguidos ataques terroristas, continuamos a aprovar as medidas que as possibilitaram. Chega a ser boçal.

Os criadores desta estupidez monumental, chamada por muitos de “política do acolhimento”, são políticos que tecem suas opiniões sentados em poltronas luxuosas tomando whisky com seguranças à porta. Veja, não se trata de ignorar que há inocentes entre os imigrantes, é claro que há, e é claro que desses devemos ter compaixão e acolhe-los na medida do possível — após correta averiguação —; não obstante, o que eu afirmo é que não devemos esconder entre cortinas o que a janela da realidade está mostrando. A política de abertura das fronteiras está falhando, e, para sermos reais, temos de dar nomes aos bois. São os imigrantes islâmicos que estão matando deliberadamente a mando de terroristas internacionais, como o ISIS. Ora, eu serei calado por dizer a verdade? O crime tem rosto e religião, tem causa e tem motivação, mas até quando vamos esconder isto? Não foi o caminhão que matou os cidadãos de Berlim, foi um terrorista, chama-se: Anis Amri[6]; quem matou o embaixador russo não foi a pistola, mas sim o terrorista Altintas. Dar nomes aos terroristas é o mesmo que fazer justiça, é um modo de honrar as vítimas. O que estamos fazendo nada mais é do que acobertar criminosos e acariciar os bárbaros.

Enquanto não formos sinceros no tratamento dos fatos não conheceremos a verdade, e para curar uma patologia devemos dar nome à doença. Não se trata de preconceito, mas de realidade. Se um islâmico comete um crime inspirado em suas crenças religiosas, querem eu o chame de budista? Se imigrantes muçulmanos estão cometendo terrorismo vocês querem que os chamem de nativos?

A verdade, ainda que doa, continua sendo verdade. Se a mídia não possui a intenção de tratar os fatos como eles são, aí então não estarão fazendo jornalismo, mas sim politicagem; não estarão informando, mas sim endossando a bestialidade.

Referências:

[1] “Kijera faz uma acusação ultrajante que a dependência dos povos brancos os (estupradores) fizeram agir da forma que agiram. Ela alude que esta foi a razão de seu ataque”. (Tradução livre). http://theuspatriot.com/2014/06/03/liberal-activist-raped-by-a-black-man-turns-and-blames-white-men-for-it/

[2] https://noticias.terra.com.br/mundo/europa/ao-menos-uma-pessoa-morreu-no-acidente,d4be20b35a918c750c485c802ccc60b4e8n6ogl8.html

[3] https://www.publico.pt/2016/12/19/mundo/noticia/embaixador-russo-em-ancara-gravemente-ferido-depois-de-ser-baleado-1755382

[4] http://g1.globo.com/mundo/noticia/andrei-karlov-embaixador-russo-morre-apos-ataque-na-turquia-diz-agencia.ghtml

[5] https://pt.gatestoneinstitute.org/7619/alemanha-estupros-migrantes

[6] http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38377238

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Pedro Henrique

Colunista do Instituto Liberal de Minas Gerais, filósofo, crítico social e palestrante. Estudioso de filosofia política com ênfase em política conservadora. Mantém o blog http://medium.com/do-contra Contato: filosofo.pedro.henrique@gmail.com

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