Roberto Campos

Por:Instituto Liberal de Minas Gerais
Biografias

16

Sep 2016

Para entendermos o presente e planejarmos o futuro, necessitamos entender os processos que se desenrolaram no passado. Por isso, analisar a vida e a carreira de lideranças  pretéritas é sempre importante. Para dar sequência a esta série de biografias, escolhi aquele que melhor representou os ideais do liberalismo econômico no Brasil do final do século XX.

Roberto de Oliveira Campos nasceu em Cuiabá/MT, em 17 de abril de 1917, filho de um professor, Waldomiro Campos, e de uma costureira, Dona Honorina de Campos. Graduou-se em Filosofia (1934) e em Teologia (1937), nos Seminários Católicos de Guaxupé e Belo Horizonte, respectivamente. Em seguida, ingressou no Serviço Diplomático, passando no concurso do Itamaraty em 1939.

Foi nomeado para trabalhar na embaixada brasileira em Washington (1942), onde se interessou por economia e buscou o mestrado nessa matéria pela Universidade George Washington, Washington D.C., concluído em 1945. Posteriormente, iniciou o doutorado pela Universidade de Columbia, Nova York.

Foi integrante, em julho de 1944, da delegação brasileira na Conferência Monetário-Financeira da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bretton Woods (EUA). Os acordos então estabelecidos deram origem ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird). Em 1947 foi transferido para Nova York, juntando-se à representação do Brasil perante à Organizaçao das Nações Unidas, e lá permaneceu por dois anos e meio. Em agosto de 1949, enfim, deixou os EUA, e permaneceu os quatro anos seguintes trabalhando a serviço da Chancelaria no Brasil.

Durante o segundo governo de Getúlio Vargas (1951-54) foi um de seus assessores econômicos, auxiliando no projeto de criação da Petrobrás, participando da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico e da implementação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), sendo um de seus primeiros diretores. Nesta posição, estabeleceu contatos com a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), órgão da ONU, para a elaboração de estudos sobre modelos de desenvolvimento econômico a serem adotados na região.

Rompeu, contudo, com Vargas e acabou sendo nomeado, em 1953, cônsul do Brasil em Los Angeles/EUA.

Após a eleição de um novo Presidente retornou ao Brasil, onde foi secretário-geral do Conselho de Desenvolvimento Econômico (1956-1959), coordenandor das ações econômicas do Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek; presidente do BNDE (de agosto de 1958 a julho de 1959); professor das cadeiras de Moeda e Crédito e Conjuntura Econômica da Faculdade de Economia da Universidade do Brasil (1956-1961); embaixador itinerante para negociações financeiras na Europa Ocidental (1961); e delegado a conferências internacionais, inclusive Ecosoc e Gatt (1959-1961).

Nessa época, Roberto Campos havia sugerido a JK que seu programa modelo fosse chamado “Programa de Metas” (e não “Plano de Metas”), sugestão que Juscelino não acatou. Além disso, sugeriu também que se fizesse um plano mais amplo, visando combater o déficit público e equilibrar as contas externas através de uma reforma cambial, novamente não obtendo sucesso.

Em junho de 1959, Juscelino Kubitschek decidiu abandonar o programa de estabilização e romper com o FMI. Em razão disso, Roberto Campos deixou a presidência do BNDE e foi, em outubro, nomeado Ministro de Primeira Classe.

No governo Jânio Quadros,voltou a atuar em embaixadas, agora como  embaixador do Brasil em Washington, nos EUA. Antes de sua posse, houve a renúncia do presidente, mas sua nomeação foi confirmada pelo novo presidente, João Goulart. Permaneceu nessa missão diplomática até agosto de 1963, quando pediu demissão, motivado por sua discordância com o governo Goulart.

Apoiou, portanto, a implantação do regime militar de 1964, e, em 14 de maio deste ano, assumiu o Ministério Extraordinário para o Planejamento e Coordenação Econômica, nomeado pelo Presidente Castelo Branco. Ficou neste posto até 1967, período no qual criou o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o Banco Central (BC) a Caderneta de Poupança e o Estatuto da Terra, tendo sido membro do Comitê Interamericano para a Aliança para o Progresso, representando o Brasil no  Equador e no Haiti (1964-1967).

Além disso, nessa época, juntamente com o colega Octávio Gouveia de Bulhões, do Ministério da Fazenda, modernizou a economia e o Estado Brasileiro por meio de diversas reformas, bem como controlou a inflação. Foi, ainda, o autor dos artigos econômicos da Constituição de 1967, a qual foi, segundo suas palavras, “a constituição menos inflacionista do mundo“, por não permitir que o Congresso Nacional fizesse emendas ao orçamento que aumentassem os gastos públicos (Emenda Constitucional que está em vias de ser feita novamente, 49 anos depois) da União, entre outras previsões

Nos governos de Geisel e Figueiredo, foi embaixador do Brasil no Reino Unido, em Londres (1975-1982). Retornou ao Brasil e, após a abertura política, elegeu-se Senador da República pelo estado do Mato Grosso, pelo PDS, em 1982. Foi uma das poucas vozes críticas ao Governo Sarney, no auge de seu Plano Cruzado.

Durante a Assembléia Constituinte de 1988, sentia-se como sendo o único parlamentar a defender a economia de mercado. Não teve nenhuma de suas ideias aprovadas quando deputado ou senador. De sua autoria no Senado foram 15 projetos de lei, todos rejeitados, dentre os quais, propôs a livre negociação salarial no setor privado e o estabelecimento de medidas de flexibilização do mercado de trabalho para evitar o desempregos; a criação de contratos de trabalho simplificados também para facilitar a geração de novos empregos; a extinção, como empresas estatais, as companhias que fossem deficitárias, privatizando-as ou liquidando-as (no caso de bancos).

Terminou o mandato de senador constituinte reclamando da solidão de ser um liberal no Brasil. Posteriormente, foi deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, entre 1991 e 1998, perdendo, neste último ano, a eleição para um novo mandato de Senador. Foi escolhido para a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1999.

Faleceu em 09 de outubro de 2001, aos 84 anos, no Rio de Janeiro.

Roberto Campos, no início de sua carreira, foi defensor da intervenção estatal na economia, desde que ligada ao desenvolvimento conjunto do setor privado capitalista e sem preconceitos contra o capital estrangeiro. Foi essa sua posição, principalmente enquanto atuou no governo Juscelino Kubitschek.

Contudo, após deixar o governo militar, em 1967, ao observar o crescimento do gigantismo estatal e da burocratização no Brasil durante os governos subsequentes, principalmente os de Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, intensificou sua posição aliada à doutrina liberal. Passou a defender, então, a tese de que um país só pode ter liberdade política com liberdade econômica. Criticou fortemente as estatizações de empresas e a criação de novas empresas estatais pelos seus sucessores no Ministério do Planejamento.

Esse convencimento acerca dos malefícios do estatismo se acentuou quando foi embaixador em Londres, nas décadas de 1970 e 1980, quando acompanhou de perto o programa de privatização da economia inglesa feito pela primeira ministra britânica Margaret Thatcher.

Campos era um ex-keynesiano que mais tarde se tornou discípulo do economista austríaco Friedrich von Hayek. Assim como Hayek, defendia que o Estado deveria ter o tamanho mínimo possível para que o cidadão não se tornar-se servo do mesmo. Schumpeter também foi um economista que Roberto Campos admirou muito na juventude. Sua tese não concluída de doutorado teria Schumpeter como “tutor”.

O triunfo do neoliberalismo (embora, assim como o Instituto Liberal de Minas Gerais, considerasse essa denominação equivocada) na década de 1990 deu-lhe a oportunidade de dizer, no seu livro de memórias – A Lanterna na Popa (Memórias): “Estive certo quando tive todos contra mim“.

Referências:

 

http://www.academia.org.br/academicos/roberto-campos/biografia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Campos

http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/biografias/roberto_campos

http://brasilescola.uol.com.br/biografia/roberto-oliveira-campos.htm

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