A receita para uma sociedade melhor: Individualismo e Livre Mercado

Individualismo e Livre-Mercado

Por:Yuri Dornelas
Colunas

03

Aug 2017

A receita para uma sociedade melhor: Individualismo e Livre mercado

Quando se fala em individualismo nos tempos atuais logo vem à cabeça algo negativo, a ideia de uma pessoa que busca viver exclusivamente para si ou alguém que não tenha atitudes solidárias. “Individualismo” ou “individualista” são termos usados, infelizmente, com uma conotação pejorativa por ter seu significado confundido com o de egoísmo.

O individualismo é a doutrina moral, política e social que valoriza a autonomia individual, em detrimento da hegemonia da coletividade. O indivíduo é o valor básico e máximo, ele é um fim em si mesmo. Com a premissa de que a vida não pode ser tratada como um meio para quaisquer outros fins. A vida não tem valor mensurável, não vale nem mais nem menos do que mil outras vidas, e cada indivíduo tem o direito de usufruir de sua própria vida como bem entender. Sendo livre para determinar seus objetivos e escolher os meios que julga melhor para alcançá-los.

A sociedade, o coletivo, não pode ter o direito de forçar o indivíduo a nada. O coletivo não pode escolher mandar o homem a guerra, não pode determinar em expropriá-lo e não pode decidir o que ele deve ou não fazer com o próprio corpo[i]. O que torna moral duas pessoas decidirem o que fazer com uma? O que torna moral dois votarem e imporem que um deva ser expropriado? Nada. Maior número não torna moral ações impostas. Se uma vida não vale mais que outra e se alguém não tenha feito nada que tenha ferido outra vida, a sociedade, ou seja, a soma de indivíduos (a sociedade não é uma entidade, a sociedade não age, o que age são os indivíduos) não pode impor sua vontade sobre esse alguém.

Já que não é moral a imposição[ii] (coerção), como os indivíduos garantiriam harmonia social? Através do livre mercado, a harmonia social, a confluência de interesses particulares e os interesses socialmente desejáveis seriam possíveis. No livre mercado, como não há interferência estatal, o único jeito de uma empresa ou trabalhador autônomo prosperarem é com o lucro. E o lucro significa que o produto ofertado é de agrado e desejado pelos consumidores. O único jeito de prosperar em um livre mercado é agradando aos consumidores do seu serviço e é por isso que o livre mercado geraria harmonia social. Por exemplo: se você é banqueiro e só pensa em acumular riquezas, o único jeito de atingir seu objetivo é ofertando um serviço de agrado e desejo de outras pessoas da sociedade; se você é um operário e deseja uma condição de vida melhor para sua família, deve tentar fornecer o melhor serviço possível ao seu consumidor, que no caso é o seu patrão; se você é um pintor, para fazer dinheiro terá que oferecer quadros que as pessoas queiram possuir.

Se o lucro é o sinal que o bem ou serviço ofertado é desejado pelos consumidores, o prejuízo é o sinal oposto. O prejuízo significa que o produto oferecido não é de nenhuma forma desejada, ou que há pouca demanda por ele. A baixa demanda ocorre porque o bem ou serviço ofertado, da forma como é ofertado (preço, disponibilidade e localização) não é desejado pelas pessoas. Por exemplo: você abre uma empresa que vende buracos, começa a cavá-los e os coloca a venda, mas ninguém compra um buraco sequer, pois é um produto que não é de nenhuma forma desejado por ninguém; ou você é um vendedor de picolés que está tendo prejuízos pois as pessoas consideram o preço do produto caro demais, mas você não conseguiria reduzir o preço ao ponto de obter uma margem de lucro que considera satisfatória para manter sua família, porque o processo de produção dos seus picolés é muito custoso.

Como o prejuízo significa que o produto ofertado, da forma como é ofertado, não tem demanda suficiente, ele faz com que o ofertante abaixe o preço e/ou aperfeiçoe sua produção – ou feche as portas. E é por isso que o livre mercado é tão eficiente. Ele faz com que os recursos destinados à produção de bens e serviços que não possuem demanda pela sociedade sejam realocados na produção de produtos desejados pela sociedade. Exemplificando: Tomas pegou seus 100 mil reais da poupança e abriu um negócio próprio, uma fábrica de lápis brancos. Um ano se passou, e ele obteve prejuízos mês após mês. Mão de obra, máquinas, matéria prima, energia elétrica e outros insumos estavam sendo destinados à produção de algo que a sociedade não deseja. Chega um dia em que Tomas não deseja desembolsar mais dinheiro para manter sua fábrica de lápis brancos e então ele a vende por 50 mil para Edison. Edison, com os mesmos equipamentos, mão de obra e insumos, resolve produzir lápis pretos e obtém lucro. Recursos que estavam sendo destinados à produção de algo que a sociedade não desejava passaram a ser destinados a algo socialmente desejável.

A melhor maneira de uma sociedade prosperar é com respeito ao indivíduo e, consequentemente, livre mercado. Como escreveu o filósofo e economista britânico Adam Smith (1723-1790), um dos pais do liberalismo: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter”.

 

[i] O coletivismo é a ideologia dos governos autoritários e da democracia. Ele foi usado para justificar mortes, prisões, torturas e furtos em prol do “bem comum”.

[ii] A coerção é imoral contra indivíduos pacíficos. Indivíduos que cometam crimes contra a vida e propriedade devem ser proporcionalmente punidos.

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Colunista do Instituto Liberal de Minas Gerais. Graduando em Economia pela Universidade Federal de Juiz de Fora e coordenador local do Students For Liberty Brasil. Libertário entusiasta da Escola Austríaca de Economia e do Objetivismo de Ayn Rand.

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