O estado não gera empregos

estado não gera empregos

Por:Leandro Marcondes
Colunas

06

Apr 2017

O estado não gera empregos

O pleno emprego é a ambição de grande parte da população, de muitos governantes e sempre vem como um discurso de prioridade para as nações. O economista estadunidense Henry Hazlitt chamava isso de “fetiche do pleno emprego”, como se o emprego fosse um fim, e não um meio para atingir um determinado objetivo. E que objetivo seria esse? A produção.

A questão principal é que a geração de empregos não é o fator mais importante numa economia. O que realmente devemos criar são riquezas, bens e serviços que agregarão valor à sociedade, satisfazendo assim as necessidades da população. A geração de riquezas gera, consequentemente, empregos. Mas nem sempre a geração de empregos significa uma produção eficiente de bens e serviços úteis para a sociedade.

A sociedade busca a cada dia eliminar empregos não desejáveis e substituí-los por novos meios de produção. Buscamos sempre a eficiência, ou seja, produzir cada vez mais com o menor trabalho humano empregado possível, além de otimizar o tempo despendido na produção e a redução de recursos financeiros. Lutar contra esse sistema é impedir a inovação e a redução da pobreza.

Hazllit no livro “Economia Numa única Lição” nos lembra que “Hitler proporcionou pleno emprego, graças a um gigantesco programa armamentista. A guerra proporcionou pleno emprego a todas as nações nelas envolvidas. O trabalho escravo, na Alemanha, teve pleno emprego. Prisões e levas de forçados, acorrentados uns aos outros, têm pleno emprego.”[1]

O economista austríaco Friedrich Hayek também combatia a ideia do pleno emprego, já que na maioria das guerras as sociedades possuíam algo muito próximo disso. Parte das pessoas eram empregadas nos exércitos, outras na produção de armamentos e mantimentos e, por esse motivo, o pleno emprego sempre esteve tão próximo em nações em guerra e pós-guerras. Para Hayek, nada adiantava esse pleno emprego quando as pessoas morriam nos conflitos ou de fome. O pleno emprego não era garantia de qualidade de vida e por isso não poderia ser considerado algo benéfico intrinsecamente.

Milton Friedman

Outra analogia interessante é de uma visita que Milton Friedman, economista vencedor do prêmio Nobel de economia em 1976, fez a China, onde a delegação chinesa mostrou-lhe um canal que estava sendo construído. Na ocasião Friedman ficou intrigado porque os trabalhadores usavam pás na construção deste canal. A delegação chinesa respondeu que o objetivo era gerar empregos, Friedman então respondeu “Então o projeto de vocês são gerar empregos? Por que não falaram antes? Neste caso, sugiro dar-lhes colheres no lugar de pás”.  (Ninguém garante a veracidade deste acontecimento, mas ele serve bem para utilizá-lo como analogia neste texto).

Neste exemplo, verídico ou não, a ideia mostrada é que não faz nenhum sentido à criação de empregos como objetivo principal. Quando o governo retira dinheiro da população para financiar esse tipo de situação, não existe nenhuma criação de empregos. As pessoas utilizariam esse dinheiro para comprar bens e serviços, dessa forma gerando empregos na sociedade. Essa atitude do governo retira empregos geradores de riquezas e privilegia trabalhadores improdutivos.

O mesmo acontece quando o governo retira recursos da população através de impostos para financiar empresas com risco de falência, impedindo que os trabalhadores daquela empresa sejam despedidos. Novamente, o estado não é capaz de gerar empregos ou protegê-los. Como dizia o economista francês Frédéric Bastiat: “na economia existe o que se vê e o que não se vê”. O que não se vê, é que novamente os indivíduos que tiveram seus recursos confiscados pelo estado para financiar empresas em falência, gastariam seu dinheiro em bens e serviços ofertados pelo mercado. Esses indivíduos apesar de não estarem gastando seu dinheiro em empresas com risco de falência, estariam consumindo em outro lugar e, consequentemente, gerando empregos em outros setores da economia.

Quando o estado usa o dinheiro dos pagadores de impostos para subsidiar empresas em falência, acaba premiando empresários ineficientes com o objetivo de preservar empregos. O que, no fim das contas, consiste em um privilégio concedido à custa de outras pessoas. Governos são bons em criar trabalho, mas não são efetivos em criar trabalhos que gerem valor para a sociedade.

Como bem dizia o próprio Hazlitt “O governo é incapaz de nos dar algo sem tirar de outra pessoa”. Quando falamos em empregos, não funciona de outra forma.

Observação:

A exemplo do Instituto Mises Brasil e a revista Veja, o autor deste texto opta pela grafia da palavra “estado” com “e” minúsculo, embora a grafia correta seja iniciada com letra maiúscula. A revista Veja argumentou em 2007 que, “se povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições, democracia, justiça são escritas com minúscula, não há razão para escrever estado com maiúscula”.

O escritor deste texto concorda com a posição do periódico e acredita que o estado nunca estará acima dos indivíduos. Portanto, a escrita com inicial maiúscula não será utilizada em seus textos.

 

Fontes:

[1] Hazlitt, Henry. Economia Numa Única Lição. São Paulo : Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010. p.75.

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Leandro Marcondes

Graduando Engenharia de Produção pela FIP-MOC, voluntário em causas em defesa das liberdades individuais e econômicas. Cofundador do grupo de estudos liberais O Quinto.

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