O depoimento de Lula, cai a máscara do “pai dos pobres”

Depoimento de Lula

Por:Pedro Henrique
Colunas

13

May 2017

O depoimento de Lula, cai a máscara do “pai dos pobres”

Existem várias formas de se enaltecer um político: demonstrando suas aptidões intelectuais e/ou administrativas, sua competência em gerir o bem público e o seu caráter límpido à prova de corrupção — coisa muito rara de se ver. Mas também é possível louvar um político criando fábulas, ‘quimeras’ sobre o heroísmo de alguém. Entretanto, as fábulas mascaram uma mensagem mais profunda e, por vezes, uma mensagem nada bela. O ex-presidente Lula é essa ‘quimera’ criada pela esquerda para justificar o movimento petista, tentando sobrepor a terrível imagem de larápio e chefe do maior esquema de corrupção dos últimos tempos que vislumbra em sua fronte atualmente.

Assistindo aos longos vídeos do interrogatório que o Juiz Sérgio Moro fez com o ex-presidente, chegamos à conclusão parcial de que ele não possui respostas conclusivas ao caso, pois em nenhum momento respondeu de forma cabal. As respostas de Lula não fizeram com que as conclusões do Ministério Público (MP) parecessem incongruentes, pelo contrário. As constantes interferências do advogado de Lula — que irritou até mesmo os demais advogados presentes — demonstravam a ânsia da defesa em desfocar o centro dos questionamentos do juiz, tentando assim, por várias vezes, transferir para Moro o caráter de perseguidor político e burlador das regras do interrogatório. Lula passou cinco horas dando respostas evasivas, que se resumiam em: “isso quem sabia era Dona Maria”, “veja, Juiz Sérgio Moro, eu não me sinto à vontade para falar de Marisa”, “isso quem assinou foi Marisa”, “sim”, “não”, “infelizmente Dona Marisa não está aqui para responder”. Em resumo, foram cinco horas jogando tudo na conta de sua falecida esposa, Marisa Letícia. Em sua desinformação assustadora, deu respostas que nada ajudavam a esclarecer as acusações a ele imputadas. O marido que praticamente não sabia de nada das compras, investimentos e análises de sua própria esposa. Não colou.

A conclusão que se retira do depoimento de Lula é que seu advogado de defesa o preparou para não responder absolutamente nada. A defesa deu ao ex-presidente uma aula de esquiva que nem mesmo Rocky Balboa teve. Longe de ter ajudado Lula, o interrogatório deixou o caso no patamar em que já se encontrava, isto é, com a certeza de que o petista teve envolvimento com o Tríplex do Guarujá — regado a favores corruptos. Um exemplo disso é que, quando confrontado com as mensagens de textos dos empreiteiros combinando as reformas pedidas por sua esposa, Lula se mostrou impaciente e sem resposta para as mensagens que claramente citavam ele e Marisa no cerne da questão investigada.

Se a intenção era reafirmar a inocência do réu, o interrogatório foi algo desesperador para a defesa de Lula. No entanto, é importante analisar outro ponto-chave que ocorreu no mesmo dia (10/5), após o término do depoimento: o encontro de Lula com sua militância.

Dentre as fábulas contadas sobre o petista, existe uma que é reverberada por seus militantes a todo o momento: “Lula é o pai dos pobres”. Responder tal afirmação é algo tão enfadonho quanto tentar provar a existência de fadas. Lula teve um aumento patrimonial de mais de 360% desde o fim do seu segundo mandato, em 2010. No fim de 2015, o ex-presidente contabilizava 8,8 milhões em patrimônio. Em que ponto da história recente esse homem tornou-se representante dos pobres? Com o Bolsa-Família? Pois bem, os pobres agora pagarão o dobro em impostos ao repor o dinheiro desviado do BNDES, da Previdência e dos demais rombos astronômicos da era PT.

Certa vez, num carro de som em frente a uma fábrica de São José dos Campos, um sindicalista gritava com seu ímpeto militante: “um rico não pode representar a classe proletária, porque seu colchão tem molas ortopédicas e o do pobre tem ácaros”. Sigamos essa máxima interessantíssima. Se o rico não pode representar o proletário, Lula não poderia nunca ser o “pai dos pobres”. O ex-presidente pode ter nascido em condição de pobreza, mas com certeza hoje ele não é pobre — e não é mesmo!

O paradigma que aqui se apresenta é muito proveitoso para a nossa reflexão: segundo o próprio petista, ele e Marisa estavam analisando a compra do tríplex. Segundo o Ministério Público Federal, não existem dúvidas de que tal tríplex tenha sido construído e reformado para o ex-presidente. Somente a reforma do imóvel pedida pela ex-primeira-dama teria custado 777 mil reais. Já a reforma do sítio de Atibaia ficou em 252 mil reais. Em propinas, Lula teria recebido, somente da OAS, 3,7 milhões de reais. Algo nos diz que Lula dorme, há tempos, em “colchões de molas ortopédicas”. Enquanto os militantes – moradores de casas lajeadas e sem pintura – estavam fazendo vigília em frente à casa de Lula em São Bernardo, o petista estava muito bem instalado em uma propriedade de 500 mil reais (pagos à vista), com seguranças particulares e as demais mordomias de uma residência de luxo. É ele o pai dos pobres?

Se um rico não pode representar o pobre, Lula também não pode ser o pai dos pobres. A não ser que ele renuncie às suas riquezas. A não ser que ele vá à Curitiba de ônibus, assim como seus militantes, e não de jatinho particular, como aconteceu. É justo que Lula vá morar num bairro de classe baixa e deixe sua residência luxuosa em São Bernardo. Muitos dirão que não é possível, pois ele é uma figura pública. Ora, a desculpa do cego é a muleta! Para ser o pai dos pobres é preciso estar em meio aos pobres por mais de duas horas num palanque, é preciso abraçar e cuidar dos pobres todos os dias e não somente quando se quer fazer um outdoor ou pedir votos em campanhas. Para ser o pai dos pobres é preciso pegar ônibus para ir ao médico e se cuidar no SUS quando estiver doente. Para ser o pai dos pobres é preciso conhecer um pai pobre que acorda às 4h da manhã para entrar numa linha de montagem, trabalhar o dia todo e sair para pagar contas, fazer compras e cuidar dos filhos e da mulher grávida que está em casa. E tudo isso, caro ex-presidente, não pode ser visto do alto de sua cobertura em São Bernardo. Não dá para ser o pai dos pobres aí de cima do tríplex no Guarujá, ou escondido num sítio em Atibaia. Os pobres não usam pedalinhos, não possuem sítios para passar as férias. Os pobres não se tratam em hospitais de primeiro mundo e nem viajam de avião particular. Quanto tempo o senhor leva para fazer um eletrocardiograma no Hospital Sírio Libanês?

A questão não é a criminalização da riqueza, muito menos concluir que aqueles que possuem patrimônios não possam conhecer os anseios dos pobres e deles se compadecer. Essas conclusões são feitas apenas seguindo a linha de raciocínio e a retórica socialista gritada dos palanques sindicais.

No alto de seu ego, caro Lula, do seu trono construído por pobres enganados, cimentado por dinheiros desviados, estruturado por propinas e conchavos, licitações irregulares e favores vadios. Nesse trono banhado com o suor de trabalhadores, de impostos sindicais, aí de cima desse monte, é fácil ser pai dos pobres.

O comunismo se faz assim mesmo: igualdade para todos, riqueza para mim. “Abaixo a propriedade privada”, eles dizem pisando a pés descalços os chãos das fábricas, mas, ao saírem dali, vão negociar imóveis de vista para o mar. De manhã eles pregam contra os homens capitalistas e de noite se tornam porcos que ceiam com os empreiteiros.

Lula é uma fábula, Lula é comandante da fazenda Solaris, Lula é uma farsa!

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Pedro Henrique

Colunista do Instituto Liberal de Minas Gerais, filósofo, crítico social e palestrante. Estudioso de filosofia política com ênfase em política conservadora. Mantém o blog http://medium.com/do-contra Contato: filosofo.pedro.henrique@gmail.com

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