O Capitalismo permite a mobilidade social

Por:Leandro Marcondes
Colunas

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Dec 2017

No século XVIII, raramente alguém que nascia em uma classe pobre da sociedade morreria pertencendo à outra, dificilmente um burguês deixaria de ser burguês, e mais difícil ainda, um escravo perderia seu status em algum momento de sua vida. Felizmente, isso tem mudado há alguns anos, não por interferência governamental ou por políticas públicas do governo, mas pela liberdade comercial.

O economista e filósofo austríaco Ludwig Von Mises (1881-1973) argumentou em seu livro – As Seis Lições – que o capitalismo permitiu que os pobres atualmente desfrutassem de bens que eram exclusividade da burguesia em outras gerações precedentes ao capitalismo. Conclui Mises:

Hoje, nos países capitalistas, há relativamente pouca diferença entre a vida básica das chamadas classes mais altas e a das mais baixas: ambas têm alimento, roupas e abrigo. Mas no século XVIII, e nos que o precederam, o que distinguia o homem da classe média do da classe baixa era o fato de o primeiro ter sapatos, e o segundo, não. Hoje, nos Estados Unidos, a diferença entre um rico e um pobre reduz-se muitas vezes à diferença entre um Cadillac e um Chevrolet. O Chevrolet pode ser de segunda mão, mas presta a seu dono basicamente os mesmos serviços que o Cadillac poderia prestar, uma vez que também está apto a se deslocar de um local a outro. Mais de 50% da população dos Estados Unidos vivem em casas e apartamentos próprios. (1958)

O livre mercado – ao contrário do que muitos dizem – permite que através do comércio as pessoas vendam, comprem, poupem e acumulem capital. Através do acumulo de capital as pessoas passam a ter capacidade de investirem, gerando assim empregos e renda para outros indivíduos e alçando uma maior quantidade de renda futura.

Esse processo permitiu que muitas pessoas saíssem da extrema pobreza e alcançasse a parte mais rica da população. Nos países que permitiram o comércio com o mínimo de barreiras possíveis ao seu funcionamento viu um crescimento exponencial da riqueza do país no fim do Século XIX e em todo o século XX (Menos aqueles que experimentaram as mazelas dos regimes comunistas ou aqueles que o capitalismo não deu o ar de sua graça como dizia o economista brasileiro Roberto Campos).

 Países no topo do ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation.

No entanto, o mesmo o capitalismo que permitiu que mais de 80% da população mundial deixasse os maiores extremos da pobreza ao passo que sua população aumentou exponencialmente neste período, também permite que muitos percam fortunas por má administração do seu próprio dinheiro.

Cerca 60% dos jogadores da NBA e 78% dos da NFL (a liga de futebol americano) quebram cinco anos depois de se aposentar. Segundo pesquisa realizada nos Estados Unidos, um terço dos ganhadores de loteria vão à falência alguns anos depois de receber os primeiros milhões. A lista de artistas famosos que acabaram pobres é imensa, exemplos estão por toda parte.

Quando se trata de empresários a lista também não é pequena, a diferença é que a maioria deles não chega ao ponto de perder tudo devido à diversificação de seus investimentos e a experiência quando o assunto é administrar dinheiro. Um dos grandes motivos da quebra de grandes empresas consiste em não conseguir acompanhar as inovações do mercado moderno. Empresas inovadoras surgem todos os dias deixando para trás aqueles empreendedores que estão presos no passado.

Um estudo empírico elaborado pelos brasileiros Flávio Urdan e Renato Rezende, constatou que de 113 empresas apontadas pela revista Fortune como maiores empresas de capital aberto norte-americanas na década de 90, em 10 anos depois (2000), apenas 61 dessas 113 empresas analisadas continuavam operando e outras 52 deixaram de existir na condição de empresas abertas independentes.

Até mesmo na lista dos homens mais ricos do mundo existe mobilidade, não é algo engessado como muitos imaginam. A lista da Forbes mostra uma grande variação dos bilionários desde que foi criada (1982). Entre os 10 mais ricos da primeira lista dos anos 80 nenhum apareceu na lista de 2001. Na lista divulgada no ano de 2001, metade não aparece na lista de três anos depois (2004) e apenas três conseguiram permanecer no topo até os dias de hoje. Os bilionários, Bill Gates (co-fundador da Microsoft), Larry Elisson (co-fundador e diretor executivo da Oracle Corporation) e Warren Buffet (Diretor executivo da Berkshire Hathaway).

Mas se existe mobilidade de cima para baixo, obviamente existe mobilidade de baixo para cima. Em 2016, segundo relatório sobre a Riqueza Mundial feito pela Capgemini, houve um aumento de mais de 7% no número de milionários em todo mundo. Em 2015, já havia tido um crescimento considerável de 4,9% em relação ao ano anterior. Nos Estados Unidos, de acordo com Boston Consulting Group, existem cerca de oito milhões de famílias com ativos financeiros superiores a um milhão de dólares. O BCG estima um aumento três milhões de milionários até 2020. Isso significa que em um dia, 1700 americanos chegaram à quantia de um milhão de dólares em ativos.

No Brasil, o enriquecimento, apesar de todas as barreiras encontradas no mercado nacional, é possível de se conquistar. Segundo estimativa traçada pelo Relatório Global de Riqueza do Credit Suisse, 132 mil brasileiros devem alcançar a posição de milionários até 2022. Isso representa cerca de 90 brasileiros se tornando milionários por dia no território nacional.

O capitalismo proporciona oportunidade de ascensão aos indivíduos não apenas aos grupos de milionários e bilionários como mencionado acima, a mobilidade no andar debaixo também exerce sua função. Apesar da dificuldade de quantificar quantas pessoas chegam à classe média alta, tendo acesso a casa própria, a compra do seu veículo, a cursar um ensino privado e demais bens que representam qualidade de vida aumenta cada dia mais em todo mundo.

Nos países com maiores liberdades econômicas, como Hong Kong, Singapura, Nova Zelândia, Suíça, Austrália, Canadá e Chile, os pobres possuem maior qualidade de vida e maiores oportunidades de ascensão social. Segundo pesquisa do The Faser Institute Foudation, nos países mais livres as pessoas vivem em média 20 anos a mais e ganham cerca de oito vezes mais do que em países menos livres. Os pobres de países mais livres ganham 10 vezes mais do que os mais pobres de países menos livres, possuem menores índices de corrupção, menores índices de mortalidade infantil e menor desemprego.

Portanto, se quisermos defender uma maior mobilidade financeira e social, uma maior tolerância as diferenças étnicas, religiosas e culturais, devemos defender a liberdade de comércio. No capitalismo moderno, pessoas do mundo inteiro comercializam produtos com povos de outras línguas, etnias diferentes, religiões e culturas diferentes. Discriminar um negro, um homossexual, um transexual ou um indivíduo que segue uma religião distinta significa prejuízos comerciais. E com isso a tolerância a grupos diversos passa a ser algo do interesse mútuo para que os interesses individuais prevaleçam.

Como bem disse o jornalista e economista Frances Frédéric Bastiat (1801-1850):

Parece-me que tenho a meu favor a teoria, pois qualquer que seja o assunto em discussão, quer religioso, filosófico, político, econômico, quer se trate de prosperidade, moralidade, igualdade, direito, justiça, progresso, trabalho, cooperação, propriedade, comércio, capital, salários, impostos, população, finanças ou governo, em qualquer parte do horizonte científico em que eu coloque o ponto de partida de minhas investigações, invariavelmente chego ao seguinte: a solução para problemas sociais humanos está na liberdade.

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Leandro Marcondes

Graduando Engenharia de Produção pela FIP-MOC, voluntário em causas em defesa das liberdades individuais e econômicas. Cofundador do grupo de estudos liberais O Quinto.

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