MBL Mato Grosso: concepções e ambições

Por:Pedro Henrique
Colunas

18

Apr 2017

MBL Mato Grosso: concepções e ambições

 

O Movimento Brasil Livre (MBL) foi uma das organizações populares que acenderam a bomba do impeachment que estouraria no colo da ex-presidente Dilma Rousseff no ano passado. Foi também o principal meio de mobilização popular da história recente do Brasil, reunindo cerca de três milhões de pessoas na saudosa data de 13 de março de 2016.

Unindo-se a outros movimentos como o Vem pra rua e Revoltados Online, o MBL conseguiu inflamar as revoltas populares contra o governo petista e levantar pautas que anteriormente não tinham perspectiva de debate na sociedade organizada. Pautas como a privatização como meio de solução econômica, a descentralização do governo, a revogação do estatuto do desarmamento, a revisão da CLT, a diminuição do aparato sindical, entre outras. Hoje, o MBL representa uma das forças pulsantes da direita nacional. Suas pautas são de cunho liberal, mas eles já foram classificados tanto de conservadores quanto de fascistas por seus opositores.

Amando o MBL ou não, negar que eles se tornaram influentes no território político nacional é o mesmo que mentir abertamente. O MBL nacional conseguiu, por exemplo, eleger Fernando Holiday como vereador da cidade de São Paulo. Um controverso jovem com pautas liberais e conservadoras que ganhou apreço de uns e críticas contundentes de outros, reafirmando assim a imagem nacional de seu movimento. E o ritmo na vida pública não deve parar tão cedo. Colocar outros nomes do movimento em cargos públicos parece ser a estratégia para a manutenção das pautas liberais no cenário nacional, ao mesmo tempo em que a tomada do espaço político em si faria com que o MBL se firmasse como um movimento popular genuíno.

Nas mídias sociais, o movimento arrasta uma multidão de seguidores e seu líder nacional, Kim Kataguiri, é outro jovem de opiniões fortes que não foge do debate franco. O MBL parece ser um movimento enraizado e se os outros companheiros de manifestações parecem ter esfriado no terreno do esquecimento político, o MBL não aparenta esse desgaste.

Hoje eles possuem espécies de filiais ao redor do Brasil, com influência semelhante a que possuem em São Paulo, centro do movimento nacional. Por isso, o Instituto Liberal de Minas Gerais (ILMG) conversou com Eduardo Borges, líder do MBL no estado do Mato Grosso. Ele nos explica a influência do movimento em sua região, os ganhos, os ideais e as projeções para o futuro do movimento no estado do Centro-Oeste brasileiro.

 

ILMG: Como nasceu o MBL Mato Grosso? O que impulsionou a sua criação e organização?

Eduardo Borges: “O MBL Mato Grosso teve início durante os protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma. A criação da organização foi motivada pela indignação de pessoas com pensamento liberal e a vontade de se unir em torno de um objetivo comum, que era o de viabilizar o impeachment de Dilma”.

ILMG: O Brasil está politicamente polarizado, esquerda e direita batalham diariamente por espaço midiático e político. O MBL de Mato Grosso possui um viés político assumido?

Eduardo Borges: “O MBL Mato Grosso possui sim atuação política. Hoje estamos diretamente envolvidos nas pautas defendidas pelo MBL nacional, como a reforma da previdência. Mas também temos atuação regionalizada, lutando por um marco legal para o Uber que pode se tornar o mais liberal de todo o país”.

ILMG: Quais foram as conquistas da organização até o momento?

Eduardo Borges: “O MBL Mato Grosso começou sua atuação regionalizada a partir de dezembro de 2016. De lá para cá, conseguimos nos tornar uma referência em críticas políticas no estado. Juntamente com a mobilização popular, conseguimos barrar o aumento para os vereadores e mudar a ideia do prefeito (Emanuel Pinheiro – Cuiabá), de contra, para a favor do Uber. Temos hoje uma disputa por uma agenda mais liberal e uma menos liberal neste sentido, mas não há quem seja contra o Uber na administração municipal. Isso, sem contar as mais de 20 unidades abertas no interior do estado em menos de um mês, com previsão para se concretizar 50 núcleos em 60 dias”.

ILMG: As grandes mobilizações do MBL num panorama nacional foram um dos grandes impulsos que culminaram com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O MBL também é um dos grandes causadores do aumento expressivo da mentalidade liberal à direita no Brasil. Vocês consideram que a política nacional ganhou com o crescimento das organizações populares de direita?

Eduardo Borges: “Ouço desde criança que “toda unanimidade é burra”. Então creio que a ascensão de uma direita, principalmente da direita liberal, faz muito bem à democracia brasileira. Quando se imaginaria fenômenos como João Dória (prefeito de São Paulo) e Nelson Marquezan (prefeito de Porto Alegre) há três anos?”.

ILMG: Muitos opositores ao MBL dizem que ele seria “fogo de palha”, apenas um movimento passageiro e incendiário, mas que passará na mesma rapidez na qual se elevou no cenário nacional. O que tem a dizer sobre isso?

Eduardo Borges: “O pragmatismo do MBL em sua atuação gerou opositores tanto na direita quanto na esquerda. Contudo, nossa atuação hoje prova o contrário. São mais de vinte unidades abertas no estado em menos de um mês. As pessoas querem cada vez mais ter voz ativa”.

ILMG: É inegável a influência e os ganhos políticos que o MBL alcançou em questão de status nacional, mas isso também é uma realidade no Mato Grosso? Qual a aceitação popular em seu Estado?

Eduardo Borges: “Isso é algo que ainda não foi testado nas urnas aqui. Sabemos muito bem a diferença que existe entre o sucesso em redes sociais e o sucesso nas urnas (eleições). Mas o sucesso nas mídias é tudo o que temos para nos basear. E, por enquanto, é bastante animador”.

Finalizando o bate-papo, o líder do MBL no Mato Grosso agradeceu a oportunidade de conversar com o ILMG e garantiu que a atuação do movimento na defesa das ideias liberais permanecerá forte.

Gostaria de agradecer o espaço aberto e ressaltar que continuaremos implacáveis na nossa atuação em favor da defesa dos ideais liberais”, conclui Eduardo Borges.

 

Eduardo Borges, líder do MBL-MT

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Pedro Henrique

Colunista do Instituto Liberal de Minas Gerais, filósofo, crítico social e palestrante. Estudioso de filosofia política com ênfase em política conservadora. Mantém o blog http://medium.com/do-contra Contato: filosofo.pedro.henrique@gmail.com

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