Lula e sua ilha da ilusão

lula e moro

Por:Pedro Henrique
Colunas

02

May 2017

O ex-presidente Lula está cada dia mais isolado em sua ilha de desculpas e arranjos retóricos, unindo-se, obviamente, aos milhares de militantes que cegamente o seguem sem questionar a sua límpida participação no maior esquema de corrupção que já existiu na história do Brasil. As recentes delações de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro acabaram por desvendar fatos que até então eram apenas especulações. Explicaram situações que anteriormente não tinham respostas claras além dos borrões espectrais das denúncias. Tudo se encaixou como num jogo de Lego, em que faltavam algumas peças para se completar o castelo.

Era sabido desde a apresentação do Ministério Público Federal (MPF), que todo vértice da corrupção da Petrobras iniciava — ou tinha seu ponto de equilíbrio — em Luíz Inácio Lula da Silva. Todavia, ainda não era possível definir o modus operandi mais profundo da trama criminosa. E foi isso que Marcelo Odebrecht evidenciou ao mostrar como os milhões em propinas eram entregues aos quereres de Lula através do “Italiano” — codinome de Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda do governo Lula.

Marcelo Odebrecht provou suas denúncias ao apresentar as planilhas de pagamentos com os apelidos de Lula (Amigo) e de seu receptor, Palocci (Italiano). Tais planilhas evidenciam o esquema e não deixam dúvidas sobre os codinomes se referirem ou não aos dois petistas delatados por Odebrecht. A delação tirou uma cortina de fumaça causada pela defesa de Lula e por sua militância jornalística.

Havia, de fato, algo que ligava Lula diretamente aos fatos corruptos investigados pela Polícia Federal e MPF. As planilhas são como um projeto estrutural que nos mostra como o montante de dinheiro desviado — que já era conhecido — se viabilizou através da estrutura anteriormente evidenciada pelo MPF, mas que não possuía a profundidade desejada. Elas mostraram de forma clara como o esquema alimentava os interesses pessoais de Lula e de outros ligados ao ex-presidente.

Aos olhos do MPF e da maioria dos jornalistas sérios, Lula efetivamente entrou numa espiral de decadência moral e política que a cada dia mais se aprofunda através dos eixos das delações que confirmam as histórias de outros delatores. As denúncias e provas apresentadas ligam Lula a inúmeros casos de corrupção, desde o enriquecimento de seu instituto; do caso do Triplex — que foi explicado em minúcias pelo ex-executivo da OAS, Léo Pinheiro, em delação que recolocou Lula no cerne da questão, e agora com mais detalhes e comprovações do que anteriormente; do Sítio em Atibaia; da sua ligação (direta ou não) com a campanha da chapa Dilma/Temer — chapa que, por sinal, estava ‘entupida’ de caixa dois.

Lula é aquele amigo que seus pais pediriam para você se afastar na escola, aquele amigo que todos sabem que, mais cedo ou mais tarde, cairá no colo da polícia e poderá te levar junto se estiver por perto. Lula só possui representatividade entre seus pupilos militantes e são relativamente poucos os que realmente acreditam, de fato, em sua inocência. Ainda que pesquisas de opinião o apontem como um suposto favorito às eleições de 2018, desde o advento Trump na última eleição americana, acreditar em pesquisas presidenciais é o mesmo que devotar sua inteligência à ufologia. Não há como acreditar seriamente em tais pesquisas, pois tudo depende do local onde as intenções de votos são colhidas, dos interesses midiáticos dos veículos que encomendam tais consultas, além da própria confiabilidade do órgão de pesquisa — que na maioria das vezes faz um trabalho militante e não estatístico. Mas a sociedade já foi vacinada contra as mentiras midiáticas e as parcialidades fanáticas de certos veículos de pesquisas.

O teólogo Leonardo Boff, por exemplo, reverberou um artigo de Carla Jiménez do jornal El Pais, texto do dia 17 de abril. Nesse artigo, Carla nos mostra como a imoralidade tornou-se regra e até mesmo um princípio virtuoso na política brasileira — a síndrome de Robin Hood. Ou seja, bastava dizer que era pelo bem dos pobres que o roubo se tornava, numa espécie de alquimia política, algo moral e respeitoso. Todavia, isso não passava de uma “elite corruptora com representantes fortes”, para que seus desejos e vadiagens fossem aceitos como meras questões de politicagens do aparato estatal. Com amigos influentes qualquer coisa fica mais fácil, não é mesmo? Não na era da Operação Lava Jato.

Agora, o ex-presidente Lula está se isolando e os políticos fogem de aparições públicas com ele desde as últimas eleições municipais. Exemplo disso é o caso em que o então candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, retirou Lula de uma foto usada em sua campanha. Os poucos que se mantém ao lado de Lula bem sabem que arriscam as suas imagens públicas, e que, caso o ex-presidente seja preso, não demorará muito para que seus opositores utilizem isso no futuro.

Na ilha da imaginação onde Lula habita, ele ainda vigora como rei. Um lugar onde tudo é conspiração contra “a alma mais imaculada da política brasileira”, onde as trincheiras são feitas de militantes sindicais e fanáticos inconsequentes. Mas no mundo real, até mesmo Leonardo Boff, que talvez seja a voz mais influente de Lula no meio católico da Teologia da Libertação, começou a perceber que o milharal está em chamas e que não é nada inteligente continuar dentro dele. Ainda que Boff negue que tenha criticado Lula, todos sabem que não é boa hora para sair em sua defesa publicamente. A justiça trabalha calada, mas ainda assim o povo e a mídia ouvem os murmúrios de que Lula não sobreviverá politicamente durante muito tempo.

Prova disso foi a “greve geral” que usou a reforma da previdência para levantar a bandeira de martírio de Lula, a bandeira de seu coitadismo frente ao capital estrangeiro e ao agente da CIA: Sérgio Moro — como afirmou a douta mitóloga da USP, e militante petista, Marilena Chauí. A era do desespero petista já se iniciou e podemos esperar nos próximos dias e meses muitas coisas que não imaginaríamos ver no cenário da política nacional.

Lula está sozinho entre a população sã. A militância petista tentará nos convencer de todas as maneiras sobre tudo que for possível. Eles pregarão a existência de unicórnios se isso livrar o seu deus da prisão. Entretanto, o que são unicórnios para quem acredita no comunismo, não é mesmo?

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Pedro Henrique

Colunista do Instituto Liberal de Minas Gerais, filósofo, crítico social e palestrante. Estudioso de filosofia política com ênfase em política conservadora. Mantém o blog http://medium.com/do-contra Contato: filosofo.pedro.henrique@gmail.com

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