Lula 2018?

Por:Pedro Henrique
Colunas

13

Mar 2017

Lula 2018?

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva está em meio a um jogo de “pôquer político”, em que possuir boas cartas não é o que vale, mas sim saber blefar com eficiência. Ele já lançou sua pré-candidatura à presidência do Brasil nas eleições de 2018 mesmo sabendo que é cinco vezes réu e que provavelmente nem estará livre até lá. Mas a estratégia de Lula é conhecida no meio político, principalmente por aqueles que andam com os pés sujos pela corrupção e precisam de garantias de defesa — nem que seja a defesa militante.

Ao lançar a sua pré-candidatura, Lula pretende criar um ambiente politizado nas investigações do Ministério Público (MP), além de inflar a hostilidade militante contra os poderes que o investigam. Caso ele seja preso em algum desses processos em que é réu, poderá — e irá — argumentar que tal ação foi uma investida política do MP para barrar sua candidatura. Argumentará que sua prisão não se baseia em fatos, mas em questões político-partidárias.

Ser preso político é uma bandeira ostentada com orgulho por qualquer político militante socialista. A intenção é, por fim e no pior dos cenários, transformar Lula em um mártir da esquerda latino-americana, um herói político perseguido pela  “burguesia Yankee” — termo preferido do socialismo sul-americano.

Os passos atuais das delações e as atuações do próprio Lula demonstram a base política que ele está estruturando. Em um primeiro momento ele está armando ideologicamente seus seguidores com comícios e encontros, arranjando os pilares daquilo no qual ele se apoiará em sua queda iminente. De forma subsequente ele lança sua pré-candidatura e começa a aparecer nos meios midiáticos como aquele que vai resgatar o Brasil do lodo da corrupção e da crise econômica.

Contudo, as denúncias não param. As recentes delações de Marcelo Odebrecht explicitam doações de caixa dois da empreiteira para a chapa Dilma/Temer, e ainda expõem mais detalhadamente a participação de Lula no esquema corruptor da Petrobras. O ex-presidente teria recebido 23 milhões de reais em propinas da Odebrecht e a prova foi apresentada por Marcelo Odebrecht através das planilhas de pagamento do dinheiro sujo, onde Lula é identificado com o codinome: “amigo”. Codinome confirmado por outros delatores e pela própria Polícia Federal desde o ano passado.

Antes de ocorrer tal delação, era notório perceber as movimentações do Partido dos Trabalhadores (PT) e de seus apoiadores na tentativa de desmerecer as delações premiadas e aqueles que iriam ouvi-las. Entre outras investidas, Lula constantemente vem denunciando os “abusos” do MP, da Polícia Federal e do juiz Sérgio Moro. A realidade é que a classe política está em desespero, afinal, além do que já é conhecido, ainda existem muitas delações a serem homologadas. Além disso, algumas já aguardam para serem abertas ao público, como as 77 delações da Odebrecht homologadas por Carmen Lúcia em janeiro desse ano. Tais delações prometem colocar Brasília em um cenário de guerra.

Lula está blefando e sabe concretamente que é muito difícil que, de alguma maneira, ele escape ileso das inúmeras denúncias e provas que estão sendo recolhidas pelo MP. Isto é evidente pelo fato de ele reafirmar sua pré-candidatura à presidência num ritmo quase que histérico. Também é notório perceber que sua imagem está extremamente debilitada frente aos olhares populares: a sua taxa de rejeição bate os 57% e tende a aumentar com as delações e provas que estão emergindo. Sendo assim, a reafirmação de sua candidatura é uma tentativa de voltar ao apreço da nação dizendo ser ele “a solução”, estratégia que não alcançou sucesso até o momento.

A colunista Vera Magalhães, do Jornal O Estado de São Paulo, afirma que o ex-presidente “esbarra na dificuldade de encontrar um marqueteiro”. Vera ainda revela que no mínimo três profissionais de propaganda já declinaram dessa empreitada. Apoiar Lula neste momento, ou trabalhar em sua candidatura, significa ratificar o próprio suicídio político, e todos sabem disso.

As denúncias contra Lula não cessam e vêm de todos os cantos. Davincci Lourenço, ex-funcionário da Camargo Corrêa, por exemplo, afirma que pagou propinas diretamente ao ex-presidente na intenção de facilitar os contratos da construtora com a Petrobras. Tal delação pode dar o xeque-mate em Lula. Além dos gravíssimos acordos de propinas revelados pelo Davincci, o delator ainda afirma que a morte de Fernando de Arruda Botelho, em 2012, foi uma espécie de “queima de arquivo”. As provas de Davincci devem ser apresentadas para que a delação seja validada e ele consiga os benefícios acordados. Se isso ocorrer, será o fim de Lula.

O que podemos esperar dos próximos capítulos são muitos ataques ao Ministério Público, seja em ações mais fronteiriças como contra as “10 medidas contra a corrupção”, na atuação do Sérgio Moro, ou na “complacência” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em aceitar delações “politicamente contaminadas”. A esquerda simpatizante de Lula irá apostar basicamente em duas frentes de ação: exaltar a sua imagem como a solução para o país e atacar frontalmente os poderes que investigam os seus casos.

Novamente, a política partidária extrapola suas competências, tentando administrar o poder judiciário, assim como ocorre na Venezuela atualmente. Não se assustem se mais tarde descobrirem que o PT é bolivariano.

As únicas barreiras que Lula encontrará serão nos setores não institucionalizados. Na opinião pública, por exemplo, há uma tendência crescente rumo à mentalidade econômica-liberal do livre mercado, além de uma postura igualmente crescente de uma mentalidade conservadora frente a atuação do Estado em aspectos morais e éticos. Tendências diretamente contrárias às diretrizes socialistas do PT.

Em suma, ainda que seja improvável que Lula permaneça em liberdade, a disputa em 2018 tenderá a ser entre instituições e militâncias contra a população organizada. Lula é um pré-candidato visivelmente gasto por inúmeras participações, diretas ou indiretas, em sistemas de corrupções e possui poder somente na esfera militante: nos sindicatos, em alguns setores da Igreja Católica, como na teologia da libertação, na mídia, com os fiéis vassalos da ideologia petista, e nas universidades, totalmente tomadas pelo marxismo. Nesses setores, o pró-Lula, será grande a partir do segundo semestre de 2017.

Hoje, Lula é apenas um réu querendo usar aquilo que resta de suas forças para minar o aparato judicial brasileiro. A sua pré-candidatura é mais uma estratégia política contra sua iminente prisão do que qualquer busca real pela presidência da República. Lula é esperto, sabe que quando entramos no chiqueiro é impossível não sair fedendo a porcos. E a população sente nele o cheiro da corrupção.

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Pedro Henrique

Colunista do Instituto Liberal de Minas Gerais, filósofo, crítico social e palestrante. Estudioso de filosofia política com ênfase em política conservadora. Mantém o blog http://medium.com/do-contra Contato: filosofo.pedro.henrique@gmail.com

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