Keynes, o mago da inflação

Keynes e Hayek

Por:Instituto Liberal de Minas Gerais
Colunas

09

May 2017

Keynes, o mago da inflação

Em recente artigo na imprensa desta capital (Belo Horizonte), um ilustre economista escreveu que Lord Keynes foi o maior economista deste século. Vejamos se foi. Em 1929 havia duas correntes de pensamento econômico na Inglaterra. Uma na Universidade de Cambridge, encabeçada por John Maynard Keynes, e outra na London School of Economics, liderada pelo então jovem economista Lionel Robbins. Este conhecia os trabalhos dos mestres da Escola Austríaca de Economia, fundada por Carl Menger nos anos 1870 (escola liberal clássica), tendo como maior expoente da quarta geração Friedrich August Von Hayek (1899 – 1992), que receberia o prêmio Nobel de Economia de 1974.

Conhecendo os trabalhos de Hayek publicados por seu Instituto Austríaco para Pesquisa dos Ciclos de Negócios, que ele fundara com seu ex-professor, Ludwig Von Mises, Lionel Robbins convidou-o para fazer palestras na London School of Economics em 1930/31, acabando por contratá-lo como professor da Escola em 1932. Robbins reconheceu que Hayek seria capaz de oferecer oposição às teorias de Keynes, e eles dois passaram a ser seus principais oponentes no debate acadêmico que se seguiu após os anos 30, quando Keynes publicou seu ‘Tratado da Moeda’, tornando-se o debate ainda mais acalorado após a publicação, em 1936, do controvertido livro ‘A Teoria Geral do Emprego, dos Juros e do Dinheiro’. Hayek se tomou o mais ardente crítico do planejamento econômico e do intervencionismo, que eram inerentes à abordagem de Keynes e seus seguidores.

Em 1944, Hayek publicou em Londres seu livro ‘O caminho da servidão’, que foi uma convincente demonstração de como até mesmo o socialismo moderado (ou social-democracia) pode se converter em totalitarismo. O livro se tomou um Best-seller mundial, vendendo milhões de exemplares em muitas línguas. No Brasil, foi traduzido e publicado pelo Instituto Liberal (RJ) em 1983.

Segundo um editorial do The Times, de Londres, do dia 20/05/78, Keynes cometeu o engano de argumentar que o desemprego que ele viu nos anos 1930 foi causado por uma simples insuficiência da demanda geral, quando ele de fato foi causado pela falha dos preços relativos em ajustarem-se às cambiantes circunstâncias. Tentativas de usar política monetária para solucionar este problema, incentivando o incremento da demanda, trouxeram como efeito exatamente o oposto do desejado. Pois, aumentando no curto prazo a demanda da economia, o governo estava atraindo cada vez mais os trabalhadores para um padrão de emprego e de salários que não seria sustentável a longo prazo. O que parece claro é que as advertências dos perigos para os quais uma aceitação acrítica dos ensinamentos de Keynes estavam nos expondo — diz o editorial –, conforme nos preveniu o professor Hayek uns quarenta anos atrás, provaram-se corretas, pois a inflação agora elevou-se fora de controle e ainda está muito alta. “Nós tínhamos esquecido aquelas lições por um tempo muito longo”, conclui The Times.

No seu livro ‘Uma Análise das Falácias Keynesianas’, (Aguilar, Madrid, 1961), Henry Hazlitt, jornalista econômico americano, diz: “No princípio era a Lei de Say: a oferta gera a demanda. Porém, esta era “a velha ciência econômica”. Agora somos beneficiados pela “nova ciência econômica”: a demanda cria a oferta, graças ao “novo” paradigma deslumbrante da “Teoria Geral do Emprego, dos Juros e do Dinheiro”, de John Maynard Keynes. Imagine você empregos para todo mundo, o tempo todo.

Assim, os Bancos Centrais simplesmente teriam que aplicar a equação de Keynes (Y=C+I+G)¹ e assegurar que a macro demanda sustenta adequadamente a macro oferta através da mágica “G”. Na formula, “G” representa os gastos do governo, para o paraíso econômico e alegria dos políticos.

Nesse livro, Hazlitt devastou a “Nova Ciência Econômica” de Keynes, demonstrando que ela é um prognóstico de persistente inflação e recessões recorrentes, provoca uma corrida constante entre a oferta de dinheiro e as demandas dos sindicatos, que não conduzem ao pleno emprego a longo prazo. Hazlitt previne aos keynesianos sobre os seguintes pontos: “a) eles se esquecem que a renda de todo mundo é um custo para algum outro; b) fazem pouco caso do fato de que a causa do desemprego está nos salários excessivos; c) e sofrem a tentação de desperdiçar o dinheiro barato e os gastos deficitários, até mesmo fora do ciclo dos negócios.” Parece-me que o maior economista do século foi F. A. Hayek.

 

¹ Y – Produto Interno Bruto

C – Consumo privado
I – Totalidade de investimentos realizada no período
G – Equivale aos gastos do governo

 

Sobre o Autor

Álvaro Pedreira de Cerqueira é Adm. pela FGV-SP e co-fundador do Instituto Liberal de Minas Gerais (1987 – 1997)

 

 

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