E o PT? Onde está? Alguém viu?

Por:Leandro Marcondes
Colunas

14

Oct 2016

E o PT? Onde está? Alguém viu?

 

Ao fim do primeiro turno das eleições municipais, o Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu força política no Brasil, tornando-se um partido do tamanho da era pré-Lula[1], sem tanta expressão, posição da qual nunca deveria ter saído.
Já era esperado uma decepção do Partido dos Trabalhadores nestas eleições. Os recentes escândalos de corrupção, as prisões de líderes políticos do partido e o catastrófico mandado da ex-presidente Dilma Roussef já dava sinais de que o PT não conseguiria sair ileso.

E não saiu. O número de prefeitos do Partido dos Trabalhadores eleitos em 2016 caiu 60% em relação às eleições de 2012 — época em que o partido teve 638 prefeitos eleitos. Em 2016 foram apenas 256. O partido caiu de 3° lugar no ranking de partidos com maior quantidade de prefeituras pelo Brasil para 10° lugar.

Vejamos os números:

1996    – 116 (10,7%)

2000    – 200 (14,1%)

2004    – 411 (17,0%)

2008    – 549 (16,5%)

2012    – 630 (16,7%)

2016    – 256* (6,7%)[2]

 

Desempenho do partido dos trabalhadores em prefeitos eleitos. (*) Percentual de votos válidos no primeiro turno.

 

E não parou por aí. Nas capitais o PT pode ter seu pior desempenho desde as eleições de 1985, quando elegeu apenas um prefeito nas capitais do país. Este ano o partido poderá eleger no máximo dois prefeitos (Rio Branco e Recife). O candidato petista da capital de Recife não demonstra vantagem nas pesquisas de segundo turno, e tudo indica que não vencerá as eleições municipais[3]. Entretanto, caso vença a eleição na capital pernambucana, o partido ainda terá o pior desempenho desde 1996, quando elegeu apenas dois prefeitos nas capitais do país.

Mesmo com o fracasso iminente do PT em eleger prefeitos, ainda existe algo com que o partido deve se preocupar: candidatos que receberam apoio publicamente do ex-presidente Lula caíram nas pesquisas e tiveram desempenho abaixo do esperado. Foi o caso da candidata Jandira Feghali no Rio de Janeiro que obteve apenas 3,34% dos votos válidos. O candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que foi derrotado no 1° turno, algo que jamais aconteceu na cidade de são Paulo, onde o pleito sempre se deu em dois turnos[4]. Foi outro fiasco histórico. Luís Inácio ainda declarou apoio à candidatura de Raul Pont em Porto Alegre, que também não foi ao segundo turno.

Talvez o maior vexame do lulopetismo nestas eleições seja a candidatura do filho de lula, Marcos Cláudio Lula da Silva[5], a vereador. Marcos não obteve sequer dois mil votos nas eleições da cidade de São Bernardo do Campo (SP).

Com o Partido dos Trabalhadores totalmente defasado, insistindo no discurso do “nós contra eles”, suas lideranças perderam espaço e seu maior representante foi a maior debacle destas eleições municipais, ainda que não tenha sido candidatado a nada.

Tudo indica que a “carta na manga” que o PT tinha para as eleições presidenciais de 2018, seria relançar Lula como candidato à presidência. Atitude que não será nem um pouco suficiente para a retomada do poder político do partido no país. De acordo com quase todas as análises políticas feitas desde o dia 2 deste mês, não será possível ao PT se reestruturar e apresentar novas lideranças em tempo hábil, já que tudo sempre se centralizou totalmente na figura do ex-presidente.  Aparentemente, o sonho da militância em ter Lula novamente como presidente do Brasil está cada dia mais distante.

A situação ainda pode piorar após o juiz do Distrito Federal aceitar nova denúncia contra o ex-presidente, o mesmo se tornou réu pela terceira vez, agora acusado de participação em fraudes envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)[6]. O cerco está se direcionando a um desfecho assombroso aos líderes do partido dos trabalhadores: o PT não terá forças na disputa presidencial de 2018. Ruim para o PT, bom para o Brasil.

Além da derrocada do PT nestas eleições, foi possível identificar outro fator positivo, isto é, a campanha vitoriosa do tucano João Dória na capital de São Paulo, vencendo no primeiro turno com 53,29% dos votos válidos. João Dória não se elegeu vendendo um discurso barato populista. Defendeu abertamente as privatizações e um menor gasto público. Deu ênfase à melhoria da eficiência pública, o que vai na contramão do aumento das competências estatais e, melhor ainda, com uma postura que não se vê em outros tucanos, atacou sem medo o ex-presidente o Lula[7].

Outro aspecto positivo das eleições 2016: partidos de extrema esquerda não tiveram grandes evoluções. Esperava-se que os eleitores do PT nas últimas eleições migrassem seus votos para outros partidos de extrema esquerda. Em certa medida isso aconteceu, mas não nas proporções imaginadas.

Apesar das pequenas evoluções de partidos como PDT e PSOL, partidos como PSB e PPS decaíram em números de candidatos eleitos. Outros partidos como PCO e PSTU mais uma vez não elegeram nenhum candidato no país. A Rede, de Marina Silva, fez apenas quatro prefeitos pelo Brasil.

A exceção é o PCdoB, que dos partidos de extrema esquerda foi o que mais evoluiu, 45% em relação ao ano anterior (78 prefeitos eleitos em 2016 contra 51 em 2012)[8].

Após o término do primeiro turno das eleições, torna-se evidente que o Partido dos Trabalhadores sofre a pior crise moral de sua história, e pela primeira vez, ao contrário do escândalo de corrupção chamado de mensalão, seu líder foi atingido em cheio e não conseguiu sair ileso.

Mas quando se trata do futuro é difícil dizer o que ele nos reserva. Não podemos subestimar o PT e muito menos a esquerda brasileira, já que nem todos os votos que o PT obteve durante os anos anteriores vieram de um público declarado de esquerda. A esquerda não se dissolverá em tão pouco tempo.

Nossas universidades estão abarrotadas de acadêmicos com pensamentos socialistas semelhantes aos do PT, e, por vezes, ainda mais radicais. Basta observar as greves que estão se espalhando pelo país por motivos absurdos, como resistência ao governo de Michel Temer (o qual acusam de golpista), contra cortes no orçamento governamental e, logicamente, contra a PEC 241 (que limita os gastos do governo ao gasto do ano anterior, mais a inflação no período)[9].

Os desafios ainda são enormes, o maior partido de esquerda do Brasil está cada vez mais frágil. É necessário pensar uma oposição forte, para que o contrabalanceamento de ideias tornem o debate mais plural e justo.

Essa é uma grande crítica que tenho feito e reforço aqui: o inimigo do Brasil não é apenas um partido político, um grupo, ou uma liderança. O anti-petismo que se alastrou pelo país, apesar de todas as virtudes, tem esse grande defeito, fazer a população acreditar que tirando o PT do poder nossos problemas estarão resolvidos.

Faz-se necessário mudar a opinião do eleitorado, fazer com que deixe de acreditar em discursos populistas, socialistas, contra a iniciativa privada e contra o direito de propriedade.

Enquanto o eleitorado acreditar que o problema são as pessoas e partidos, e não as ideologias que elas carregam em seus discursos, estaremos expostos às novas lideranças de esquerda com as mesmas ideias dos líderes anteriores. O perigo é que surjam novos líderes populistas que cativem o eleitorado e ganhem sua confiança, levando assim, o Brasil novamente ao fracasso.

O PT conseguiu fazer do Brasil um país sem expressividade, um país fantasmagórico que vagava entre mares de corrupções sistêmicas; a menor expressividade do PT, nesse atual momento, torna-se algo basal para pensarmos um país menos aporcalhado em suas instituições e com possibilidade de crescimento. O PT apequenado é necessário para o Brasil crescer.

 

Referências:

[1] http://www.cartacapital.com.br/politica/em-4-anos-pt-perde-60-das-prefeituras

[2] http://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/o-pt-volta-ao-tamanho-pre-lula.html

[3] http://g1.globo.com/pernambuco/eleicoes/2016/noticia/2016/10/datafolha-geraldo-47-joao-paulo-34-brancosnulos-13-nao-sabem-6.html

[4] http://www.opovo.com.br/noticias/eleicoes2016/2016/10/pt-tem-a-pior-eleicao-em-capitais-dos-ultimos-20-anos.html

[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Cl%C3%A1udio_Lula_da_Silva

[6] http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/10/juiz-do-df-aceita-denuncia-contra-lula-marcelo-odebrecht-e-mais-9.html

[7] http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2016/09/epoca-negocios-lula-tem-contas-a-pagar-diz-joao-doria-em-campanha-na-zona-leste-de-sp.html

[8] https://www.youtube.com/watch?v=YiGY-uY2Dig

[9]http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1468431&filename=PEC241/2016

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Leandro Marcondes

Graduando Engenharia de Produção pela FIP-MOC, voluntário em causas em defesa das liberdades individuais e econômicas. Cofundador do grupo de estudos liberais O Quinto.

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