Duplipensar da Esquerda: Amor = Ódio

Por:Leandro Marcondes
Colunas

25

Sep 2016

Duplipensar da Esquerda: Amor = Ódio
Muito se imaginou que o enredo do livro 1984, de George Orwell, fosse um exagero, ainda que com o fim de demonstrar a quão nociva uma ditadura poderia ser para com os indivíduos que vivem em um regime ditatorial.
Para quem não conhece o termo duplipensar, criado por Orwell no livro 1984, é basicamente a capacidade de armazenar duas crenças contraditórias simultaneamente e aceitar ambas.
No entanto, jamais poderíamos imaginar que o duplipensar descrito no livro poderia se tornar algo real e, muito menos, comum, já que é um paradoxo cognitivo.
Estávamos errados.
Isso tem acontecido com tanta frequência atualmente, no mundo inteiro, inclusive no Brasil, que tem se tornado norma, não exceção, principalmente entre os mais jovens.
E não através de um regime ditatorial, mas mediante uma ditadura do pensamento, totalmente dominada pela esquerda, especialmente nas universidades.

É bem verdade que as manifestações de ódio de um extremo de um grupo contra o outro (direita versus esquerda) veem de ambos os grupos ideológicos. Não são, de forma alguma, um tipo de atitude restrita apenas a pessoas que acreditam em uma destas ideologias. Contudo, há uma diferença crucial nas atitudes dos indivíduos que se identificam com o pensamento de esquerda, e que vem a ser a pauta mais importante deste artigo: a esquerda sempre se utilizou de rótulos para desqualificar ou desmerecer seus adversários. Rótulos estes nada condizentes com o que defendem as pessoas ditas de direita. Chamam-nos de fascistas, racistas, homofóbicos, elitistas e dezenas outros de termos de cunho pejorativo, de acordo com o que lhes convier no momento.
E é essa mesma esquerda que se intitula tolerante, monopolista da virtude, das boas intenções e do amor à humanidade.

A farsa da “igualdade e fraternidade” da esquerda é perceptível antes mesmo de os esquerdistas abrirem a boca (que seja para falar ou para cuspir): as camisetas de Che Guevara, as capas de iPhone fazendo ode a Lênin ou Stálin, os livros vermelhos que eles nunca leram, todos carregados de, estima-se, por baixo, 100 milhões de mortes consigo. Estes ícones socialistas defendidos pela esquerda são responsáveis por atrocidades que deixariam Hitler com sentimento de amadorismo com seu genocídio ou assassinato em massa de cerca de seis milhões  de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Atrocidades contra negros, gays, hippies, intelectuais e tuti quanti.
Para o momento é bom nos lembrarmos do Décimo Terceiro Congresso do PC do B, realizado no dia 16 de novembro de 2013, onde ficaram estampadas as imagens de Karl Marx e Lênin no palco durante o evento. Meses antes, o mesmo Partido Comunista Brasileiro lançou no dia 02 de abril de 2013 uma carta em apoio ao regime ditatorial e, abertamente, apoiador das torturas e mortes de dois milhões e meio de pessoas do regime norte-coreano  de Kim Jong-un. O documento foi assinado, ainda, segundo o PC do B, pelo PT, PSD e mais dezesseis movimentos sociais, dentre eles, o MST, a CUT e a UNE, e contou com o apoio de estudantes universitários em grande número.
Expresso meu repúdio por qualquer indivíduo que defenda torturas, ditaduras ou quaisquer regimes genocidas. Mas me espanto ao ver a efervescência nacional com o discurso do deputado federal Jair Bolsonaro no dia 17 de abril deste ano, na Câmara dos Deputados, que homenageou o ex-coronel Brilhante Ustra , suspeito de ter torturado pessoas nos anos de regime militar (regime que estima-se ter matado 434 pessoas), ao mesmo tempo em que a esquerda abertamente apoia um regime que matou 2.500.000  de pessoas apenas na Coréia do Norte.
O deputado sofreu um pedido de casacão por parte da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil_ e também foi alvo de petições na internet pedindo pelo seu afastamento do cargo.
Sim, ele fez apologia a um potencial torturador e isso é digno de asco. Contudo, me vem uma dúvida: a esquerda pode fazer apologia a Carlos Lamarca, Carlos Marighella, Che Guevara e muitos outros, como sempre fez, e faz, que nada acontece ? Pode defender terroristas e guerrilheiros assassinos? Pessoas que torturaram, mataram e escravizaram negros, hippies e homossexuais? A esquerda pode tudo? É isso que significa ser detentor da virtude?
No mesmo dia de 17 de abril, em que o deputado Bolsonaro mencionou o ex-coronel Brilhante Ustra, o deputado psolista Jean Wyllys (aquele mesmo que se veste de Che Guevara ) cuspiu na cara do mencionado deputado Jair Bolsonaro em plena votação sobre o impeachment na câmara dos deputados. Em um parlamento. Onde, por definição, se fazem discussões, que podem chegar esporadicamente a níveis muito baixos, mas nunca devem sair do âmbito da fala, da argumentação, do debate.
Mas não é a direita liberal e conservadora a intolerante?
Imaginemos que tivesse ocorrido o inverso, ou seja, Jair Bolsonaro cuspindo na face de Jean Wyllys: não seria isso, e somente isso, o suficiente para sua casacão, por falta de decoro?

Mas como a esquerda “tolerante, pacífica e defensora das minorias” presente no plenário aplaudiu de pé o ato do deputado Jean Wyllys, ao invés de demonstrar repúdio a sua atitude vil e baixa, houve manifestações de apoio  e, o que a mim me parece mais surreal, para muitos esquerdistas o ato de cuspir na cara de alguém virou símbolo de luta e justiça social. A cusparada virou febre. Dias após a performance de Jean Wyllys era a vez do ator petista José de Abreu mostrar que a mediocridade da esquerda não é uma exceção, quando cuspiu na face de uma mulher em um restaurante de São Paulo . Ataques raivosos do petista José de Abreu na internet já eram constantes, e novamente a esquerda se calou diante de tamanha baixeza. Os movimentos feministas, em sua quase totalidade de esquerda nos dias de hoje, que se calou neste episódio da cusparada na fronte de uma mulher, novamente não se manifestou quando o petista José de Abreu chamou a jurista Janaína Pascoal de “safada” no Twitter  (o que não é nenhuma surpresa, vindo do ator global, que já havia chamado a deputada Mara Gabrilli de “safada, sem vergonha”  anteriormente). Atitudes que, se viessem de qualquer, um fora do nicho da esquerda, seriam tidas como ato machista inadmissível.

Mas não é só desta seletividade de “quem devemos defender e quando” ou deste duplipensar que a esquerda entende. Calaram-se também quando o ex-presidente Lula chamou as mulheres de seu próprio partido de “mulheres de grelo duro” , ultrapassando todos os níveis da deselegância e da insolência.
Uma verdade muito fácil de se perceber quando se para para observar os conflitos políticos no Brasil (ou em qualquer outro lugar do mundo) é que os movimentos esquerdistas são totalmente intolerantes, mas, muito hipocritamente, sempre se auto rotulam como pacifistas e propagadores do amor (sic). Seguem ao pé da letra a cartilha de Vladimir Lênin: “Acuse seus adversários do que você faz, chame-os do que você é”.
Basta discordar das pautas defendidas pelos grupos de esquerda, como o aborto, por exemplo, que você será chamado de fascista (não importa se eles entendam ou não o significado desta palavra), racista, homofóbico, elitista, entre outros adjetivos pejorativos. Principalmente dentro de grupos feralmente mais extremistas, como a União Nacional de Estudantes, grupos LGBT, feministas radicais, etc.
Exemplos desse tipo de duplipensar não faltam: no dia 18 de abril deste ano um professor foi hostilizado por alunos do curso de psicologia da Universidade Federal de Goiás por ser posicionar contra as cotas raciais . O professor foi perseguido pelos corredores da universidade pelos alunos, que gritavam “racista” e “fascista” para o professor. O Centro Acadêmico do curso publicou uma nota dizendo que o professor fez críticas aos sistemas de cotas dizendo que os rendimentos dos alunos eram baixos e se manifestou contra o sistema, ou seja, o professor cometeu o pecado de emitir sua opinião.
Expor uma opinião contrária à da maioria, principalmente no ambiente acadêmico (que deveria ser o locus para a divergência de pensamentos e para debates), tornou-se motivo mais que suficiente para a persecução gratuita. Persecução esta que os esquerdistas praticam ao mesmo tempo em que erguem a bandeira da tolerância (o que muito me remete ao Partido dos Trabalhadores erguendo a da ética).
Diante das amostras apresentadas, a novafala  parece ser mais uma das tática dos engenheiros sociais. O duplipensar talvez seja só mais uma maneira de continuar se rotulando como os monopolistas da virtude e do bem, mesmo tendo uma prática estelarmente distante deste discurso.

Afinal, em uma sociedade em que os indivíduos acreditam que a natureza de seus pensamento já aflora indiscutivelmente benigna e exclusivamente detentora de todas as virtudes, para quê fazer o certo, se podemos dizer que o errado é certo? Que dois mais dois não são quatro, mas, na verdade, cinco? Que todos os exemplos de intolerância citados acima são para o bem comum? Que eles servem para te proteger da “cultura do estupro”, da homofobia, do racismo  e dos capitalistas devoradores de criancinhas?
Se aqui tivesse que descrever a esquerda em uma única frase, escolheria a clássica de Nelson Rodrigues: “Amar a Humanidade é fácil, difícil é amar o próximo”.

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Leandro Marcondes

Graduando Engenharia de Produção pela FIP-MOC, voluntário em causas em defesa das liberdades individuais e econômicas. Cofundador do grupo de estudos liberais O Quinto.

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